domingo, 19 de julho de 2009

José Serra - o Pai da Comunicação



PARTE 1

Por acaso você já ligou para a Prefeitura de São Paulo utilizando o número 156? Como foi o atendimento? Conseguiu o que desejava? Ficou satisfeito?

Pois saiba que quem administra as chamadas para os serviços dispostos pela prefeitura de SP, desde abril de 2006, quando José Serra ocupava o posto principal, é a empresa Call Tecnologia e Serviços LTDA (CNPJ 05.003.257/0001-10), também conhecida como Call Contact Center. À época o fato foi muito comemorado pelos envolvidos, José Serra estava radiante. Obviamente não pelo certame vencido pela nova empresa, em licitação, cujos pagamentos mensais eram em torno de R$1.250.000,00 e chegariam aos 30 milhões por dois anos de serviço. Comemorou-se bastante porque houve um acréscimo de 15% nos atendimentos e graças à mudança da Perform (empresa anterior) pela Call, com o apoio eterno da PRODAM, evitou-se a paralisação do atendimento aos munícipes. O povão ligador, no entanto, teve outra opinião.

Pó pará, NaMaria. Você disse que o contrato valia por dois anos, então ele acabou em 2008, né? Tolices de vossas partes, honrados leitores. O fato é que a Prefeitura desde março de 2008, agora a mando do senhor Kassab, prorroga a coisa toda pela Secretaria Municipal de Gestão (MSG) e outras. É aquela velha máxima futebolística aplicada aos negócios públicos: não se mexe em time que está ganhando. Lá vamos nós à história.

Vide DO da Cidade, primeira ocorrência 24/fevereiro/2006, contrato 002/CGBS/SMG/2006 - Processo administrativo: 2005-0.316.832-3. Corrige-se a data de início de vigência para 30 de março de 2006. Em outubro de 2006, no entanto, a maré não estava boa para a Call, só pode ter havido uma sabotagem no sistema: a coitada foi multada pela Coordenadoria do Governo Eletrônico e Gestão da Informação - CGEGI, só porque não cumpriu cláusula contratual de atender de 5.500 a 7.500 ligações na hora de maior movimento e por não atingir 90% do serviço estabelecido. O povaréu não perdoa, gente de má fé. A pobrezinha da empresa dos Srs. Ruy Trida Júnior e Luiz Cláudio Tiveron, foi lascada em 0,1% do valor total, ou seja: 30 mil reais. Depois disso, o ano de 2007 passa como se a Call Tecnologia não existisse para o DO da Cidade, sem um mísero link – um céu de brigadeiro.

Chega 2008 e as coisas oscilam. Tudo começa bem, vem o primeiro aditivo. Ou seja: vamos aumentar o rabo da cobra. DO Cidade, 9/maio/2008 – publicado atrasado por omissão - Extrato do Termo Aditivo 01 ao Contrato 002/CGBS/SMG/2006 – sem notação de valores, não me pergunte o motivo. Mas, em 17 de junho, a mesma Coordenadoria da multa de 2006 dá uma feia advertência à Call por não cumprimento de contrato. A contratada, por sua vez, se fez de besta e a Coordenadoria tascou-lhe novamente multa de 0,1%, em agosto, que como se sabe é mês do cachorro louco, não se brinca. Vem setembro; às portas da gentil primavera a Call é notificada com outra advertência em razão de descumprimento do item 12.1.2 do contrato. Sempre a mesma ladainha, talvez a CGEGI não entenda nada das mazelas do atendimento aos munícipes que a empresa especializada encara diuturnamente. Contudo, não há mal que sempre dure: em 30 de outubro sai a esperada autorização para prorrogação por mais 5 meses do Contrato 002/CGBS/SMG/2006, pela Coordenadoria de Gestão de Bens e Serviços – CGBS, Departamento de Gestão de Suprimentos e Serviços. Valor total: R$ 7.759.198,30. Valor da prorrogação: R$ 3.197.073,97sendo que o restante onerará a dotação do exercício seguinte. A confirmação se apresenta em 20/novembro/2008: Extrato de Termo Aditivo 02 ao Contrato 002/CGBS/SMG/2006 – alterando a cláusula 5a.

Ano novo, vida nova e multas frescas em 2009. Em 28 de janeiro, o Secretário-executivo de Comunicação, Marcus Vinícius Sinval, aplica multa de R$17.944,19, pois houve interrupção da comunicação entre a Central 156 e a PRODAM. Poucos dias depois, a Secretaria Executiva de Comunicação exige R$120 mil da Call pelos mesmos motivos anteriores, em 27 de fevereiro de 2009, a serem descontados no pagamento próximo. O fato repete-se em 20 de março, mudando o valor para R$ 240 mil.

Daí as mordidas cessam e no dia 27 de março vem o sopro. A SECOM autoriza a continuidade da empresa por mais três meses. Então, senhoras e senhores, no dia 7 de abril aparece o sensacional Extrato do Termo de Aditamento 003 ao Contrato Nº 002/Cgbs/Smg/2006 (2005-0.316.832-3), pela Secretaria Executiva de Comunicação, incluindo a conexão com os sistemas aplicativos hospedados na PRODAM para consulta ás (sic) informações e registros das solicitações recebidas. Validade: 3 meses, a partir de 30/março/2009. Valor do aditamento: R$ 4.655.518,98. Finalmente, em 30 de junho passado, a SECOM autoriza outros noventa dias de serviço, a contar a partir daquela data. Assim sendo, a Call Tecnologia e Serviços continua atendendo muito bem, obrigado, a cidade de São Paulo - como queríamos demonstrar.

Não pense, todavia, que a extraordinária Call se restringe à Prefeitura de SP. Outros contratos concomitantes existem (citando apenas 2008-2009):
  • Contrato CS/CTI PR 108/08 – com IPT, validade: 12 meses, valor: R$ 306.000,00 – assinado em 26/junho/2008;
  • Vence a concorrência Nº CSPE/033/01/2007, Processo CSPE/0160/2007, e entra na Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo – ARSESP, para prestação de serviços de teleatendimento receptivo e ativo, com atendimento eletrônico e humano, no valor total de R$ 2.884.311,59, em 5 de agosto de 2008;
  • A partir de 20/outubro/2008 tem prorrogado por um ano seu contrato SF Nº 026/2006 com a Secretaria Municipal de Finanças (Secretário Walter Aluísio Morais Rodrigues), para a prestação de serviços de acompanhamento da regularidade tributária dos contribuintes devedores de tributos não inscritos na dívida ativa, bem como os inscritos no Programa de Parcelamento Incentivado. Valor: R$ 1.934.400,00;
  • Contrato PRO.000.5614 (processo: 85629), dispensa de licitação (nº.010/2009), com a PRODAM para o Disque Poupatempo. Valor: R$ 7.144.020,00, por 6 meses, assinado em 16/abril/2009.

A melhor azeitona do empadão


José Serra, nosso amável Governador, está sempre atento às relações entre Estado e povaréu. Serra exige qualidade ímpar no diálogo franco e aberto que sempre teve com... a gente. Ele e sua equipe da SEE, comandada pelo Paulo Renato Costa Souza, têm a solução. Veja que primor de originalidade.

Sai o contrato 52/0020/09/05 (aviso lançado em 13/fevereiro; homologado em 27/março) para prestação de serviços terceirizados de teleatendimento (Central de Atendimento) ativo e receptivo, no formato humano e via correio eletrônico (e-mail). Valor: R$ 3.984.000,00. Assinatura em 3/abril/2009, válida por 720 dias, prorrogáveis. Quem assina em nome de tão prestimoso setor? A nossa conhecida e estimada FDE, através de seu Presidente Fábio Bonini Simões de Lima e de sua Supervisora de Comunicação e Assuntos Institucionais, a Sra. Márcia Rachel Busch. Você pode ir dando uma olhada no Edital da negociação aqui, verdadeira obra-prima à qual recorreremos futuramente.

É absolutamente impressionante como os modelos de negócios municipais (do PSDB e aliados) se repetem no Estado – e vice-versa. Não se sabe onde começa um e termina o outro. As desgraças em forma de brilhantes soluções migram de um ponto a outro com a tranqüilidade de um ermitão pelado em sua caverna. Percebe-se que há imensa responsabilidade nas "escolhas" dos prestadores de serviços por parte dos governantes, já que uma empresa tão multada quanto a Call Tecnologia e Serviços LTDA supera em muito qualquer outra, sendo agora também a responsável pelos telefonemas que entram na SEE-SP. Definitivamente os iguais se atraem.

Mas o imbróglio não termina aí, afortunados leitores. Ao contrário, ele se expande, piora.
Veremos no próximo capítulo com quantos e quais softwares se faz a canoa desse call center educacional. Saberemos quantas e quais empresas são necessárias para se atingir o Nirvana comunicativo. Ouviremos as escolas, testaremos os serviços oferecidos. E, obviamente, faremos as contas das ações do nosso grande pai da comunicação, o Sr. José Serra.
Desse jeito ele ganha outro prêmio, ô se ganha...

7 comentários:

  1. Excelente reportagem investigativa. Bem embasada. parabéns!!

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  2. Mas afinal de contas apos os noventas dias (a partir de 30 de setembro) oq acontece com nos funcionarios da call? rs sera renovado de novo? nao sera? nao fazemos ideia de nosso destino!!!

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  3. TINA - DA CALL TECNOLOGIA DE SÃO PAULO DA R. 25 DE JANEIRO, 303
    BAIRRO DA LUZ.


    POIS É TRABALHEI NESTA EMPRESA COMO TELEOPERADORA, E NO NATAL DE 2009, NÃO DERAM NEM UM MINI- PANETONE P/ OS FUNCIONARIOS, E A EMPRESA GANHA DINHEIRO FEITO AGUA, ISTO É MUITA FALTA DE CONSIDERAÇÃO, SEM FALAR QUE POR CADA COMPUTADOR LOGADO , ISTO É LIGADO SENDO QUE SÃO MAIS DE 500 PCS, A PREFEITURA PAGA P/ A EMPRESA QUASE R$ 2000,00 POR MES E O SALARIO DOS FUNCIONARIOS NÃO CHEGA NEM NO SALARIO MINIMO, ISTO É UMA VERGONHA. É POR ISTO QUE TANTAS PESSOAS PEDEM A CONTA E VÃO EMBORA, NÃO PARA NINGUEM NA EMPRESA. É SÓ ILUSÃO.

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  4. Acho bom abrirem bem os olhos, pq a CALL TECNOLOGIA se não me engano é do SR.J Gontijo que está envolvido nos escândalos em Brasilia... Ele recebeu dinheirinho tb... e a Codeplan está lá a mil anos... ABRAM O OLHO! E Ana Maria investigue pq garanto que aí tem!

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  5. Apenas uma coisa o correto seria se cobrar e haver novamente uma licitação para a continuidade de serviço. Seja com esta organização ou outra, de forma a reduzir os custos e exigir os contratos.
    E não sei como está hoje em dia, mas qdo trabalhei a verdade é que eles tinham dificuldade em manter posições ativas por falta de pessoal - taxa de rotatividade nas alturas - devido a condições de trabalho e salário (pois diferente de outras centrais o operador não recebe uma comissão por metas ou produtividade, apenas ficando com um salário fixo mês que era baixo).

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  6. Aí NaMaria, dê uma olhadinha no D.O de 02/04/11, páginas 208/209. Teve nova licitação para o mesmo serviço e a Call tá levando mais um contratinho de miséros R$ 8,27 milhões...É mole?

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  7. TEM MUITO MAIS MISTÉRIO DO QUE SE IMAGINA!!!

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