domingo, 26 de outubro de 2014

Como ser fiscal no Segundo Turno 2014 - As urnas eletrônicas não são confiáveis


Na reportagem que Conceição Lemes e eu (NaMaria) fizemos, para o Viomundo,  Sistema de votação sob suspeita. TSE não responde perguntas sobre fraude, fica evidente a possibilidade de haver fraude eleitoral.

Tudo aquilo que levantamos, aquela coletânea de mistérios desvendada por gente séria, é parte de uma caixa preta mirabolante que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não abre, nem com reza braba.

Portanto, neste domingo 26, no segundo turno da eleição presidencial, cada um de nós deve ser fiscal do próprio voto. Como?

É assim. A ideia começou neste ano com o professor do Instituto de Computação da Unicamp, Diego de Freitas Aranha, o mesmo que descobriu as falhas em 2012, quando participou dos testes abertos das urnas, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ele decidiu criar o VOCÊ FISCAL - um aplicativo para Android, que se propõe a realizar uma apuração paralela do pleito.

A entrevista com o Diego sobre o app pode ser vista aqui; ela é anterior ao projeto, hoje em pleno vapor.

Como funciona o VOCÊ FISCAL? Vamos aos passos.

1- Entre no site VOCÊ FISCAL.
2- Leia o quadro rosa e entre em "Instruções".
3- Leia a página toda, é tudo muito simples, fácil e divertido.
4- Entenda e obedeça as regras propostas para que dê tudo certo.
5- Escolha uma zona eleitoral, pode ser aquela em que você vota. Encontre o BU. Fotografe-o em partes, pois ele é longo (conforme as regras no vídeo).
6- Envie as imagens pelo aplicativo (download neste link) ou o para e-mail bu@vocefiscal.org ou pelo site do VOCÊ FISCAL - tem de fazer o cadastro e logar.
7- Voilà! Você é um fiscal do seu voto.

Como consta no VOCÊ FISCAL, mas não custa repetir, o interessado
deve chegar na zona/seção escolhida ANTES das 17 HORAS. Exerça seu direito: exija e fotografe o Boletim de Urna, vulgo (BU).
Quem não tem celular com sistema Android, pode fazer as fotos com outras câmeras digitais ou celulares, obedecendo as mesmas regras do vídeo que também reproduzo aqui, feito pelo Helder Ribeiro, cofundador do VOCÊ FISCAL.

 

Repare bem no vídeo, está claro:
Vale a pena lembrar que é obrigatório que sejam impressas pelo menos 5 cópias do Boletim de Urna [BU] e que pelo menos uma delas seja afixada em um lugar publicamente visível. Quem determina isso é a resolução 23399 do próprio TSE, nos artigos 82 e 116. É possível que nem todo local de votação obedeça essa regra, então é bom levar uma cópia impressa
Para facilitar a sua vida, a Resolução TSE nº 23399 - 2014 - Dispõe sobre os atos preparatórios para as eleições de 2014 pode ser vista aqui, em PDF. Lembre-e de fazer as cópias, caso queiram proibi-lo de exercer seus direitos.



Aqui prints dos artigos citados:

ARTIGO 82 - Página 30


ARTIGO 116 - Página 44







OBSERVAÇÕES IMPORTANTES 

  • Mais dicas sobre como fazer o acompanhamento no segundo turno estão no BLOG do VOCÊ FISCAL. Leia é muito importante.
  • Crie sua conta no site para poder usá-lo, é muito fácil e rápido.
  • Não esqueça de ADOTAR SUA ZONA ELEITORAL, encontre-a aqui e se inscreva após estar logado; comente indicando a sua seção. Você receberá um "comprovante" como este:



O voto é nosso, e a responsabilidade de fazer ele valer, também.

sábado, 18 de outubro de 2014

Governo de SP e Positivo Informática: troca de favores entre amigos muy amigos


Há dois dias recebi mensagem pelo e-mail do NaMariaNews. Algo, no mínimo, alucinante. 

É sobre certos favores, em bens e dinheiro vivo, ofertados, em 2006, pela Positivo Informática ao governador Geraldo Alckmin  e sua esposa, à Fundação Para o Desenvolvimento da Educação (FDE), da Secretaria de Estado da Educação e outros da mesma cepa.

Foi enviada por pessoa que disse: "sou funcionário da Prodesp há milênios, já passei pela SEE [Secretaria de Educação], FDE, Fence, o diabo todo. Sei mais podres sobre o governo do PSDB do que qualquer ser humano pode imaginar. Estou farto de colecionar fatos de corrupções e corruptos, mas ainda bem, quase me aposentando. Chegou a hora de falar e mostrar". Fiquei com inveja mortal, confesso.

Para te situar, já escrevi aqui sobre a Prodesp, em 2010, por conta do caso da Fence, que você pode ver em:
A) Os contratos da Fence com o Governo de SP, e
B) Teia de espiões cerca o PSDB

Fence Consultoria Empresarial LTDA é de propriedade do ex-dirigente do SNI, o coronel reformado do Exército Sr. Ênio Gomes Fontenelle. Conforme parecer do TCU, como "sócio-gerente daquela empresa, (...) faz crer que aquele empresário [Ênio] é verdadeira sumidade no assunto".

Assim, todos os seus contratos são sem licitação. Dinheiro público fácil, fácil - sem contestações.

A Fence entrou no reino Federal pelas mãos de José Serra (PSDB) quando era ministro da Saúde. Depois foi anabolizada em São Paulo pelas mesmas mãos, em 2008.

Mais detalhes podem ser lidos em meu texto Coincidências do Dossiê 2002 nos Negócios de SP.

Fence e Prodesp são apenas alguns dos horrores que José Serra aprimorou em São Paulo.

Se você retornou e leu os links acima (mais os que estão nos textos e sobreviveu), vai crer na mensagem que recebi, porque tudo, eu disse TUDO que é informação do Estado, de São Paulo, de outros Estados do Brasil e diversos órgãos passa (e fica) por lá na Prodesp - e também na Fence.

Quais outros órgãos tem a Fence como freguês?

Coisas do tipo: o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal Militar, o Tribunal Superior Eleitoral, o Tribunal de Contas da União, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), o Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp), a Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Administração do Ministério do Esporte e Turismo (SPOA/MET), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e por aí vai.

E quais os clientes da Prodesp?

Analise a imagem abaixo e imagine o tamanho do buraco. Atualmente ela não aparece mais no site. Mas aqui podemos saber o que fazem e como. Se você tiver paciência de Jó e olhos de águia poderá se divertir nos Relatórios de Administração, anos 2008 a 2013. O mais atual já dá uma boa ideia de onde estamos metidos.



A Fence, através da Prodesp, faz por nós o que os Estados Unidos fazem com as correspondências eletrônicas e dados pessoais de seus habitantes. Uma beleza.

Rezava o contrato paulista (quando escrevi em 2010) que a Fence buscaria por "intrusões eletrônicas" dentro das áreas da Prodesp, em 113 ramais de PABX e 7 linhas diretas, além de 60 salas. Mas também previa que poderia procurar em áreas fora de sua sede - ou em outras localizações de seu interesse. Ou seja, vai aonde quer, entra onde e quando deseja e você nem sabe - se sabe, cala o bico.

A Prodesp cuida de toda, eu disse toda a rede de dados do Estado de São Paulo, com o tal INTRAGOV (a internet governamental). Então você, ingênuo funcionário público, manda um alô para tua sogra pelo e-mail (pode ser até privado e não da empresa) e pumba!, tá lá guardado, podendo ser lido por quem quer que seja lá dentro (e ser retransmitido a "outros"). Você pode ser severamente punido de várias formas tenebrosas. Não há privacidade nesse mundo. Apenas mistérios.

Portanto esse funcionário que me escreveu está dentro da Prodesp, que por sua vez está no INTRAGOV, que por sua vez "são cuidados" pela Fence. Não é linda essa ciranda?

Mas vamos ao que interessa de fato: a tal mensagem que recebi citada no início.

Embora datada de 2006, envolve nomes de peso do Governo, da FDE (órgão da Secretaria de Estado da Educação - SEE), da igreja e outros.

Alguns deles estão em ação até hoje: o governador Alckmin e esposa Lu Alckmin, Gabriel Chalita, padre Rosalvino Morán Viñayo, padre Marcelo Rossi, Paulo Barbosa, Milton Dias Leme e Tirone Lanix.

O e-mail dentro da mensagem foi endereçado a uma "professora" que não fica em sala de aula dando um duro danado, mas na chefia de uma das gerências por onde mais passa(va) o dinheiro na FDE - talvez só perdendo para a de Obras. Tal gerência mudou de nome e a "professora" também mudou de gerência. Mas o esquema é o mesmo. Caso goste de charadas, faça uma busca no Organograma da FDE. Ela está lá, pode crer.

O e-mail foi assinado por uma funcionária da Positivo, "gerente de projetos", que fazia o meio de campo com a FDE na compra de softwares, computadores, licitações, papel, muito papel - e como se verá: favores, vulgo troca-troca ou toma lá, dá cá... Numa eterna ponte aérea Curitiba-São Paulo-Curitiba, por anos e anos. A moça era (é ainda?) de uma intimidade visceral com aquele povo todo.

Por razões que minha razão reconhece, resolvi manter esses nomes em suspenso, por enquanto. Por quê? Porque talvez elas queiram se manifestar (faz-me rir). Ou, quem sabe, algum leitor mais atento e poderoso possa legalmente requerer explicações aos implicados.

Talvez o próprio governador Alckmin possa  nos dizer o que foi feito com tanta farinha, laptops, computadres...

Talvez o Sr. Tirone nos diga para que diabos serviram 50 toneladas de papel retirados do parque gráfico da Positivo (ooops, papel é dinheiro, sabiam?).

Talvez o pedagogo do amor, Chalita, possa nos explicar em detalhes os R$ 500 mil dados pela Positivo ao padre mega pop star Marcelo Rossi, da Canção Nova, sem escalas.

Quem sabe a gerente de projetos da Positivo possa nos dizer que problema, afinal, ocorreu com os negócios, digo "projetos", de softwares que não geraram lucros - ou melhor, não deram certo?

Que raio de "acordo de doações" foi esse no fim das contas?

Por que a SEE e FDE não podiam comprar e entregar elas mesmas os itens?

Como tais coisas entraram nos locais, em nome de quem? Tem nota fiscal?

Que "dívida" entre compadres foi essa?

No mais, espero que você tire suas conclusões e ajude nas pesquisas, porque a luz no fim do túnel está distante - por hora.

Apenas digo que conheço as pessoas citadas, sei do que são, foram e serão capazes de fazer. Lamento que o remetente tenha se manifestado somente agora. Mas como sempre digo, a função da verdade é aparecer, mesmo que demore.
Talvez a hora para estas verdades esteja chegando.

Assim entenderemos um pouco mais como funcionam os negócios em nossa Educação, porque para essa gente educação não passa disso: Negócios. Dinheiro em penca - ou "Vanderlei", como o chamava Chalita em seus momentos mais eufóricos.

Que fique bem gravada a última frase da gerente da Positivo no e-mail à professora:
Fica claro que a Positivo Informática sempre procurou atender as solicitações do Governo e da SEE.

Clique nas imagens para ampliar. As setas e grifos são do NaMariaNews.
















Agradeço ao remetente por ter-me enviado a certificação da mensagem, com a autoridade da Imprensa Oficial. Lembro a todos que em um computador as coisas e os HDs não são apagados facilmente, ainda mais tendo a Prodesp e a Fence pelo caminho. O mesmo serve para a Internet.


No próximo post teremos algumas explicações e pesquisas sobre os fatos citados. Já está na mira o Diário Oficial.
Favor aguardar.
Grata.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Aécio censura a imprensa? Sem dúvida. Eu vi. Eu estava lá.



Aécio Neves do PSDB está querendo ser presidente do Brasil na eleição de 2014. Aécio Neves tem uma irmã - poderosíssima a ponto de ser chamada de "primeira irmã da república das Gerais".

Ela, Andrea Neves da Cunha, jamais brincou em serviço e nos serviços aos quais se presta.

Em seu verbete na Wikipedia (um mimo de texto de dar inveja nas santas dos altares de Mariana) ela aparece assim - grifos meus:
(...) fez parte do Grupo Técnico de Comunicação do Governo de Minas Gerais. Trata-se de um núcleo de trabalho que reúne os responsáveis pelas áreas de comunicação dos órgãos da administração direta e empresas públicas, entre outros, para estabelecer as diretrizes e a execução das políticas de prestação de contas do governo estadual à população. O grupo atua de forma colegiada e tem caráter consultivo e de assessoramento. (...)
No ranking dos mais poderosos do Brasil (IG-2013), está na posição 42, atrás de José Serra, com 38 pontos. Injustiça. Ambos deveriam ocupar a posição 45 por direito, afinidade e por fatos, mas Carlos Jereissati está ali, fazer o quê?

no texto do IG, bem mais interessante, a Sinhá Andrea do Tiradentes é assim pintada (grifos meus):
Reza o lugar-comum que político sem voto é político sem poder. Pois bem... A máxima não vale a mínima quando proferida no Palácio Tiradentes, sugestivamente fincado na chamada Cidade Administrativa Tancredo Neves. 
Andrea Neves, uma das herdeiras do capital simbólico do ex-presidente, precisou apenas de um eleitor, o irmão Aécio Neves. O escrutínio em família foi o suficiente para transformá-la em uma das figuras mais poderosas – e temidas – da política mineira nos últimos anos. 
Sem voto, mas com mandato fraternalmente concedido, tornou-se uma espécie de Cardeal Richelieu das Alterosas durante os oito anos da dinastia Aécio. À frente do Grupo Técnico de Comunicação do Governo, Andrea despertou som e fúria, dependendo do gosto e do partido do freguês. Aos olhos da situação, ela teve papel fundamental na construção da imagem de Aécio como gestor competente que saneou as finanças do Estado. 
Para a oposição, não passou de um tentáculo do irmão esticado em direção à mídia, que se valeu dos mais variados instrumentos para afagar ou sufocar veículos de comunicação. Durante o governo de Aécio Neves, Andrea foi acusada de manejar as verbas de publicidade do estado de acordo com os interesses políticos de Aécio e de influir na imprensa mineira, a ponto, inclusive, de provocar a queda de jornalistas pouco simpáticos ao governo. Deputados da oposição chegaram a apresentar denúncias formais contra Andrea, imputando a ela e ao irmão desvio de recursos da área de comunicação do governo. (...)
Uma das primeiras vítimas da mão de ferro de Andrea foi o jornalista Marco Antonio Nascimento, quando ele era figura de alta patente da Globo em Minas Gerais.

Conheço de perto o caso, Vi, pessoalmente. Eu estava em Belo Horizonte, quando Andrea exigiu guilhotina ao pescoço e ao resto do Marco. Só porque ele mandou bala no Jornal Nacional em três matérias que muito desagradaram àquela nobre família Neves.

Uma delas sobre crianças usando crack no bairro de Lagoinha, bem pertinho do Departamento de Investigações do Estado, em BH - junto com isso as consequências sociais e a péssima situação da polícia. Compreende-se: afinal, uso de drogas é assunto privado, correto? Não é tema para o Jornal Nacional mineiro.

A Richilieu [de saias] das Alterosas, como a chama o IG, "demitiu" o rapaz sem dó nem piedade, como se dona da emissora fosse e, consequentemente, como se não bastasse tirar-lhe o couro, levou também a alma: a Globo, com o rabo entre as pernas, o exilou numa afiliada em Alagoas, a TV Gazeta. Péssimo? Não, de frente para o mar.

Graças ao Marco Nascimento temos o primeiro, senão um dos primeiros, vídeos comprovando publicamente a índole vingativa dos irmãos Neves.

Foi entrevista concedida a um aluno de jornalismo da UFMG (Marcelo Baêta), feita no quintal do Marco, sob um belo pé de acerola.

Chama-se Liberdade, essa palavra - parte 1. Na parte 2, Baêta mostra como ficaram favoráveis as notícias sobre o governo Aécio, após os métodos enfáticos da Sra. Andrea.

Porém, vídeos da "juventude do PSDB mineiro" ou simplesmente do PSDB (a autoria é incerta), circulando na internet, tentam desmentir o que Marco Nascimento gravou com o Marcelo Baêta. 

Lamento decepcionar a meninada tucana ou os autores da "resposta". Marco Nascimento falou, sim, tudo o que aparece no Liberdade, essa palavra - parte 1.

O vídeo foi feito para um trabalho escolar, em 2005. Baêta assinou um documento dizendo que o material seria usado apenas no contexto de sala de aula, na conclusão do curso na faculdade. O autor também afirmava não tê-lo postado no YouTube. Então quem foi?

Acontece que o vídeo foi e ficou no YouTube; acabou descoberto, caindo geral na internet, nas caixas de e-mail de meio mundo.

Quando foi originalmente postado (início de 2006), não havia as edições que aparecem atualmente. Era somente o Marco Nascimento falando. Pessoalmente, achava melhor, mais lógico, claro e contundente. Não dava margem a desmentidos, desculpas e desditos.

Mas o que houve com o original? Sumiram com ele do ar. A desculpa: "reivindicação de direitos autorais", como se a obra não fosse do autor.

Quem viu o filme do Marco Nascimento na íntegra, sem as atuais adições/edições, como foi feito anos atrás, como eu e muitos outros amigos vimos, sabem o que ele falou e como falou.

Fora da câmera, Marco repetiu aquilo tudo e acrescentou mais informações; era conversa em muitos churrascos, almoços e jantares naquele mesmo quintal. Até mesmo a Folha diz: À Folha Nascimento disse que, de fato, atribui sua demissão a uma decisão da Globo, mas que reiterava tudo o que disse a Baêta. Ou seja, que os Neves estiveram na parada, sim.

Por essas e outras é recomendável assistir aos dois vídeos:

"Liberdade, essa palavra" - Parte 1.



"Liberdade, essa palavra" - Parte 2.


** OBSERVAÇÃO: caso queira assistir os dois em um link só, entre aqui.

Essa Heloísa Neves que é mencionada pelo Marco Nascimento (na Parte 1) era assessora do governador/Andrea. É ex-mulher do jornalista e publicitário Eduardo Guedes, que por sua vez assessora Aécio Neves - e é um dos réus do mensalão tucano, acusado de desviar R$ 3,5 milhões para a empresa de Marcos Valério.

Agora, muito está sendo dito sobre esses vídeos e sobre um outro, o Gagged in Brazil  (Brasil Amordaçado - ou Amordaçados no Brasil), igualmente censurado pelas mesmas mãos de ferro mineiras, várias vezes, mas que nunca mudou a versão.

Então eu proponho um momento de reflexão, na verdade uma homenagem, que serve a todos os envolvidos no caso.

A vocês esta obra de arte de 1975, Mordaça:

 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Como a Veja manejou a Educação Pública brasileira

Reproduzo aqui a nova entrevista do NaMariaMews ao Viomundo,
para a Conceição Lemes.
Pulicada em 01/outubro/2014.
Com profundos agradecimentos.

NaMaria: Veja dirigiu a educação brasileira nos governos tucanos


2 - CAPA-VEJA-NOV1991


Nesse domingo 28, após ler no Viomundo a matéria "Melancólico fim da revista “Veja”, de Mino a Barbosa", de Ricardo Kotscho, publicada originalmente no R7, NaMaria, do blog NaMaria News, nos mandou esta mensagem:

Interessantíssima a matéria do Kotscho. Fiquei até com pena do senhor Roberto Civita, dono/herdeiro da Abril, da sua Fundação V. Civita, de Veja, Exame, Nova Escola (que ganhou até prêmio da Universidade de Navarra), Guia do Estudante, Recreio, Veja na Sala de Aula etc..

Ele não é mantenedor, patrocinador e parceiro do Instituto Millenium, que tem entre seus “especialistas” o autor da matéria denunciada por Kotscho, Agamenon Mendes Pedreira  – vulgo Marcelo Madureira?

Um verdadeiro "coitadinho", esse Civita, "tadinha" da Abril. Ai, meus sais.

Tudo porque o "malvado" do Lula resolveu fazer um tipo de "reforma agrária" nas verbas da Comunicação e, de quebra, nas compras dos livros didáticos, pelo MEC [Ministério da Educação], que incluíam publicações da Fundação Civita/Abril?
Te juro. Deu peninha. Ódio é um sentimento tão sentimental... Estou quase chorando aqui.

Você sabe que sou uma boa alma, mas tenho de te perguntar: será que os mais de 52 milhões dados pela Secretaria de Educação de São Paulo (2004-2010) não ajudaram em nada a Abril/Veja?

Sei. Aí tem coisa, Conceição Lemes, tem muita história ainda não sabida sobre a Veja e a Educação nacional e suas redes, tem muito fio sem nó. Se você quiser eu te conto um pouco, quer?

NaMaria é provavelmente a pessoa que mais conhece e mais denunciou os caminhos tortuosos dos negócios e desmandos dos tucanos na área educacional e suas ligações perigosas com a nossa grande mídia. É uma web pesquisadora com faro finíssimo.

Em entrevista ao Viomundo em 2010, NaMaria revelou que desde 2004 até aquele ano, o PSDB havia gasto mais de R$ 250 milhões com a mídia (quase tudo sem licitação) em nome da Educação Pública de São Paulo. Ali, NaMaria mostrou a estratégia de muitas empresas que negociam a Educação em SP, entre elas as de Roberto Civita:

Se pegarmos as compras feitas pela FDE [Fundação para o Desenvolvimento da Educação] à Abril (Guia do Estudante Vestibular, Atlas Nacional Geographic, Revista Recreio e Veja) e Fundação Victor Civita (Revista Nova Escola), em contratos sem licitação que o DO [Diário Oficial do Estado de São Paulo] aponta desde 2004 até agora [2010], teríamos a quantia de R$52.014.101,20.

Com o mesmo dinheiro entregue à Abril/Civita, sem qualquer percalço licitatório, em troca de papel, poderíamos construir quase 13 novas escolas ou cerca de 152 salas de aula, com capacidade para mais de 15 mil alunos nos três períodos (manhã, tarde e noite). Desafogaríamos as escolas existentes e atenderíamos dignamente os alunos e comunidades."

Aceitamos, claro, a proposta da NaMaria. Mas antes, é necessário recolocar a tabela dos gastos públicos da Educação de São Paulo com a Abril e Fundação Victor Civita, para que vocês se localizem.

ED. ABRIL / FUND. CIVITA CONTRATO / LINK D.O. VALOR
18.160 assinaturas (renovação) Revista Nova Escola (DE's/Ofs.Pedags/Escolas) SÓ HÁ 2 REGISTROS EM DO – onde e quando o contrato inicial? ~ 42/2199/04/04 (ver DO 29/12/04) ~ 14/jan/05 326.880,00
18.160 assinaturas (renovação) Revista Nova Escola ~ 15/1063/07/04 ~ 23/out/2007 408.600,00
220.000 assinaturas da Revista Nova Escola – edições 216 a 225 - solicitado pela CENP para o "Ler e Escrever" ~ 15/1165/08/04 (ver DO 1/10/2008 ) ~ 25/out/2008 3.740.000,00
415.000 exemplares Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2008 ~ 15/0543/08/04 ~23/abr/2008 2.437.918,00
430.000 exemplares Edições nº 7 e 8 do Guia do Estudante Atualidades Vestibular ~ 15/1104/08/04 ~ 22/out/2008 4.363.425,00
430.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.08 + 20.000 Revista do Professor ~ 15/0063/09/04 ~ 11/fev/2009 2.498.838,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed. 09 + 25.000 Revista do Professor ~ 15/0238/09/04 ~ 16/jun/2009 3.143.120,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.10 + 27.500 Revista do Professor ~ 15/0614/09/04 ~ 29/ago/2009 3.249.760,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2º sem 2009 + 27.500 Revista do Professor ~ 15/00024/10/04 ~ 2/abr/2010 3.177.400,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.11-2º sem 2010 + 27.500 Revista do Professor Nº5 ~ 15/00473/10/04 ~ 15/jun/2010 3.328.600,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed. 12-2º sem 2010 + 27.500 Revista do Professor Nº6 ~15/00762/10/04 ~ 17/ago/2010 3.328.600,00
PARCIAL 25.527.661,00
3.000 assinaturas Revista Recreio ~15/0181/08/04 ~ 29/mar/2008 1.071.000,00
6.000 assinaturas Revista Recreio ~15/0182/08/04 ~ 29/mar/2008 2.142.000,00
5.155 assinaturas Revista Recreio ~15/0670/08/04 ~ 12/ago/2008 1.840.335,00
25.702 assinaturas Revista Recreio ~15/0149/09/04 ~ 17/abr/2009 12.963.060,72
2.259 assinaturas Revista Recreio ~ 15/0528/09/04 ~ 1/set/2009 891.220,68
PARCIAL 18.907.616,40
95.316 Atlas Nacional Geographic vols. 1 ao 26, sendo 3.666 exemplares de cada volume ~ 15/00273/09/04 ~ 28/mai/2010 733.200,00
5.200 assinaturas da Revista Veja - (Sala de Leitura) ~ 15/00547/10/04 ~ 29/mai/2010 1.202.968,00
5.449 assinaturas da Revista Veja - (Sala de Leitura) ~ 15/0355/09/04 ~ 20/mai/2009 1.167.175,80
TOTAL 52.014.101,20



Viomundo – Explique melhor a "reforma agrária" de Lula nas verbas de publicidade do governo federal e nas compras dos livros pedagógicos. 
NaMaria – Refletindo um pouco mais sobre a matéria do Kotscho, cheguei à conclusão de que Lula fez, sim, a primeira, embora pequena e humilde, reforma midiática do país. Usei o termo reforma agrária, porque naquela época não se falava tanto (ou nada) em reforma midiática – ambas necessárias no Brasil.

Lula resolveu investir melhor na Educação. E, em vez de continuar dando imensos quinhões da verba pública aos de sempre – que por sinal só metiam (e metem) o malho, obviamente como o próprio Civita disse –, ele resolveu repartir melhor o bolo.

Só que, ao optar pela redistribuição das compras de livros pedagógicos (incluindo outras editoras no roll do MEC), e pela aquisição de obras mais adequadas do que a Revista Nova Escola, Recreio ou Guia do Estudante, por exemplo, Lula atacou um vespeiro "das elites".

Viomundo – Você se surpreendeu com a revelação de Kotscho de que Roberto Civita teria ido a Lula por se sentir prejudicado pela distribuição dos livros didáticos?
NaMaria – Nem um pouco.

Viomundo – Essa conduta de Civita mostra o quê?
NaMaria – Que Civita pensava poder fazer uso da mesma artimanha empregada por ele em São Paulo. Desde pelo menos 2004 (pode ser antes e com outros; o que falo sai do Diário Oficial), Roberto pedia ajuda a um amigo "auxiliar de almoxarifado", na figura do então prefeito José Serra. E sempre foi atendido. Continuou a ser e ampliaram-se as benesses depois que Serra se tornou governador.

Aqui, vale ressaltar que Serra atendia prontamente não apenas aos Civita, como a toda Proba Imprensa Gloriosa – comprando-as como material pedagógico, paradidático etc.. Os tais mais de 250 milhões que mostrei na entrevista de 2010 entram nisso. Mas é óbvio que a tonelada de dinheiro da Educação de SP não era suficiente para manter os negócios do Civita.

Ter sido ignorado pelo "chefe geral da repartição", Lula, foi demais para o dono da Abril. Levar um não de Lula deixou-o totalmente fulo da vida. Um horror – a vingança só poderia ser maligna.

Como se não bastasse, através de Serra, Civita teve acesso a milhares de endereços pessoais dos professores, que passaram a receber as revistas, inclusive em suas casas, sem que lhe tivessem dado permissão ou questionado se as queriam. Essas assinaturas são um absurdo antipedagógico completo, mas cumprem até hoje com as ameaças do senhor Civita ditas ao finado Eduardo Campos e reveladas por Kotscho:

Esta é a única oposição de verdade que ainda existe ao PT no Brasil. O resto é bobagem. Só nós podemos acabar com esta gente e vamos até o fim.

Por outro lado, temos de dar razão ao Civita. Ele TINHA mesmo de procurar "o chefe geral da repartição", em vez de ficar lidando com os "auxiliares de almoxarifado" (com todo respeito), para ter os seus pedidos atendidos. As verbas, como no caso da Educação do Estado de São Paulo, saíam da FDE direto para a Abril e afins, isso é sabido.

Mas para que isso acontecesse, a ordem precisava – e precisa! – ser autorizada pelo "chefe da repartição" paulista. Ou seja: Serra (e atualmente, Alckmin). A ordem inicial e final sempre vem de cima. Uma pena o Lula não ter compreendido a situação do "coitadinho" do Civita, né mesmo?

Viomundo – O esquema de São Paulo foi executado em outros Estados?
NaMaria – Não duvido. Basta que se interessem e procurem em seus Diários Oficiais, as provas estarão lá, salvo "lapsos" desses DOs.

Viomundo – Os mais de R$ 52 milhões recebidos pela Abril pelos livros didáticos expressam a realidade do que a empresa recebeu de benesses do governo paulista?
NaMaria – Certamente, não. Esses valores referem-se apenas aos que eu achei nas pesquisas no DOESP  de 2004 até 2010. Deve ter muita coisa em anos anteriores e posteriores à minha pesquisa (porque parei um tempo), em outros Estados, atendendo a outros esquemas e anseios.

Sem contar as prefeituras e órgãos de tudo que é canto do país. As pessoas precisam se interessar e investigar, precisam mostrar esses fatos. Como se sabe, corrupção tem roupas lindas e diversas, muitas delas em tecidos invisíveis – como aquela capa mágica que deixa o Harry Potter invisível, sabe como? Tem muita gente usando capas do Potter por aí, mas elas podem e devem ser retiradas.

Viomundo – Esse esquema começou onde?
NaMaria – Sem dúvida, com Mário Covas, em São Paulo, com os bons ventos da democracia tucana.

A partir dele, dos consecutivos governos do PSDB e com Fernando Henrique na presidência, São Paulo tornou-se legalmente o latifúndio dos esquemas, o laboratório dos "programas-piloto" que seriam espalhados pelo Brasil. Obviamente grande parte desse pessoal se instalou em Brasília, em postos-chave. Depois eles iam e vinham carregando suas ideologias e negócios. É o famoso "tá tudo dominado" que continua até hoje. Um Cavalo de Tróia, tipo viral, sabe como?

Viomundo – Mas como foi parar na Educação?
NaMaria – É importante lembrar que antes e muito tempo após podermos votar de novo, o Brasil obedecia ordens do Banco Mundial em tudo, inclusive para a Educação nacional, afinal éramos escravos da dívida. E o Banco Mundial e o BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento] queriam muita construção de escolas para liberar o dinheiro, queriam educação padrão em massa, essas "coisas boas".

Só que o Brasil, de acordo com seu então ministro da Educação, José Goldemberg [agosto de 1991/agosto de 1992; era Fernando Collor], tinha salas de aula sobrando.

Este senhor determinou que só seriam construídas escolas novas "depois de um estudo sobre a necessidade real daquela nova unidade". Quer dizer: "elas não seriam mais construídas segundo critérios políticos", porque "foram construídas no lugar errado (...), as existentes podem receber muitos outros alunos"... Aí entra a Veja na parada.

Viomundo – A Veja?! Como assim?
NaMaria – Porque a Veja fez a trilha pioneira.
Talvez pouca gente saiba, mas a Fundação Victor Civita [criada em 1985], a Revista Nova Escola [criada em 1986] e sobretudo a Veja tiveram papel sólido nessa "transformação educacional".

O ataque "discreto e direto", vamos dizer assim, da Veja, começou na edição de 20 de novembro de 1991 (tempo do ministro Goldemberg no MEC), em cuja capa lê-se: "Ensino Básico - As opções para resolver o problema que está na raiz do atraso brasileiro".

A facada decisiva e norteadora, das páginas 46 a 58, foi a reportagem "A máquina que cospe crianças",  de Eurípedes Alcântara. Ali, se apresentava o tenebroso estudo do ensino público brasileiro: o compara a outros países, mostra a falta de preparo das escolas e professores (tratados pelos governos como barnabés de sexta categoria), a falta de conscientização escolar para o vindouro século das novas tecnologias, a falta de metodologia/currículo e, principalmente, nos dá "as soluções para o ensino básico... sem projetos mirabolantes, de altos custos, como o CIEP, CIAC, Mobral..."

 Só que em sua Carta ao Leitor, contrariamente, a Veja diz:

Não é função da imprensa apontar os caminhos para solucionar os grandes males nacionais. A tarefa de revistas e jornais é noticiar o que está acontecendo, contribuindo,para que, através da informação e dos debates, a sociedade escolha as melhores opções... a educação não é uma tarefa apenas do governo...

Tudo isto está disponível nos arquivos  de Veja. Creio ser de fundamental leitura para tentar entender os meandros do imbróglio.

Viomundo  Na época, que especialistas compartilhavam das opiniões de Goldenberg, Veja...?
NaMaria  Não podem ser esquecidos, por exemplo, a então pesquisadora e pedagoga Guiomar Namo de Mello e Cláudio de Moura Castro, à época, prestando serviços para Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Suíça.

O tempo passa e Paulo Renato de Souza  entra no MEC e fica (1/janeiro/1995 a 1/janeiro/2003). Victor Civita havia morrido em 1990 e seu filho Roberto assumira. Em março de 1998, a Revista Veja na Sala de Aula. Em 2001, a Unesco diz que a Revista Nova Escola "é o melhor veículo de educação do País".

A Veja, propriamente dita, passa a ser a marqueteira oficial das teorias educacionais, dos projetos e políticas públicas, das ONGs, Fundações e empresas que tratavam de "projetos não-mirabolantes" para uma "boa escola" e que trabalhavam para o MEC ou Secretarias, órgãos da Educação. Esses especialistas usam demais a palavra "mirabolante", em tudo. É impressionante, mas é justamente a palavra que mais bem os define.

Viomundo – Isso pode ser comprovado? 
NaMaria – Pode, sim. E sem que tenhamos de ler – ainda bem! – todos os exemplares da Veja.

Há um livro magnífico, fruto de uma dissertação de mestrado na UNESP de Araraquara, do Geraldo Sabino Ricardo Filho, chamado "A boa escola no discurso da mídia – Um exame das representações sobre educação na revista ‘Veja’ (1995-2001)" – ou seja, cobre 7 dos 8 anos de FHC e Paulo Renato. Isso sim, uma obra de arte obrigatória de ser lida.

O livro prova que durante todo esse período Paulo Renato foi incensado pela Veja, sendo que na edição 1717, de 12/setembro/2001, páginas 106-109, a matéria "Isso é uma revolução" o coloca no mais alto pódio dentre todos os ministérios universais e cósmicos de toda Via-Láctea.

 É apresentado como o desbravador, o construtor de novas políticas avaliativas, o licitador de 233 mil computadores (a Positivo ficou felicíssima, assim como a Microsoft, aliás), o que manejava genialmente 5,7% do PIB, como "comandante de um transatlântico governamental" (sic), batendo todos os recordes em melhoria dos salários, condições etc. e tal.

O ministro Paulo Renato era, para a Veja, O CARA. Tanto que ali diziam ser ele "um dos postulantes declarados do PSDB à vaga de candidato à Presidência da República".

Ou seja, O CARA foi considerado tão bom exatamente porque fez tudo aquilo que a Veja prescreveu naquela matéria de 1991 (e seguintes), em termos de "solução para o caos educacional brasileiro": avaliação (ENEM/Provão), combate à repetência criando o monstro de passar o aluno de ano mesmo sem condições (para ele “classes especiais”), Fundef (para o dinheiro fluir/entrar mais fácil – a descentralização da gestão escolar)...

O livro também comprova o que eu sempre falei sobre a formação de grupos de especialistas, que Geraldo Sabino denomina como "rede de legitimidade, que contribui para produzir o consenso em torno de uma boa escola". Aquela  escola "que ensina", "que deixa de ser um privilégio das elites... para ser a solução dos problemas do país"– solução essa que significa criação de mão-de-obra. Não por acaso a Abril é a mãe da Nova Escola, cujo pai foi a Veja – todos apadrinhados pelo Governo.

Viomundo – Que pessoas fariam parte dessa "rede de legitimidade"?
NaMaria – Uma delas eu já mencionei, a Guiomar Namo de Mello, fundadora do PSDB em 1988. Ela é diretora executiva da Fundação Civita desde 1997,  diretora editorial da Revista Nova Escola e diretora da EBRAP – Escola Brasileira de Professores (que presta serviços ao governo). Mas a Guiomar já foi Secretária Municipal de Educação (governo Covas), deputada estadual eleita pelo PMDB (1987/1991), foi do Banco Mundial...

A Guiomar, na verdade, foi e é muita coisa, ao mesmo tempo em que também era e é da Secretaria de Estado da Educação de SP. Não é lindo isso? Dá uma olhada no Google e no DO de SP.

Outro integrante  dessa "rede de legitimidade" foi o Cláudio de Moura Castro. O mais importante e íntimo consultor de quase TODAS as matérias de educação de Veja, do qual era também colunista. Ele foi do BID, em Washington. Trabalhou no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP (vinculado ao MEC), no Banco Mundial, de tudo que se pode imaginar ao mesmo tempo agora. Busca o homem no Google para ver, é uma máquina...

Viomundo  Quem mais?  NaMaria   Depois temos João Batista de Oliveira e o Sérgio Costa Ribeiro (foi coordenador de pesquisas da CAPES).

Segundo o livro de Geraldo Sabino, o João Batista, o Sérgio Costa e o Cláudio Castro "formaram o tripé da revolução silenciosa hoje em curso no ensino básico brasileiro".

Nas Páginas Amarelas de 28/julho/1993, pode-se ler o que pensa Sérgio Costa sobre o "mito criado da evasão escolar" (como se não existisse de fato naquelas plagas), as pérolas sobre os CIEPs, CIACs e CAICs prevendo suas ruínas por serem "estigmatizadas como escolas para pobres... e por serem de tempo integral, inviabilizando o trabalho para muitos alunos".

É um horror ler o que ele declarou ali. Mas bate perfeitamente com os ideais do Ministro, O CARA, consequentemente com os da Veja – ou vice-versa. O interessante é que Collor gentilmente o convidou a se retirar de seu gabinete porque Ribeiro só aceitaria trabalhar com Goldemberg se acabassem com o "mirabolante" projeto CIAC.

Viomundo – Quer dizer: eles servem ao governo e setor privado?
NaMaria – Sem dúvida. Mas não somente servem como criam suas próprias empresas, que acabavam prestando serviços ao Estado, ao mesmo tempo. Portanto são proprietários, conselheiros, assessores, sócios e amigos. É o caso do próprio Paulo Renato e sua empresa PRS Consultores, "sua" Avalia Assessoria Educacional, a Editora Moderna etc., fazendo negócios com o Estado e Governo Federal. Suas jogadas com a Santillana, Prisa, que já citei no NaMariaNews e por aí vai.

Com o tempo, a nova estrutura do MEC ajeitada por Paulo Renato, possibilitou que ele criasse sua própria rede de legitimidade, que depois chega na Educação em SP, em Institutos e Fundações e ONGs do país. Nomes como o da Guiomar Namo de Mello, são acompanhados por Iara Glória Areias Prado, Monica Messenberg Guimarães (essa é quente!), Rose Neubauer, Claudia Rosenberg Aratangy, e tantos outros que ja citei no meu blog. O modelo de negócios é tão amplo e variado que se lermos esta matéria do Ação Educativa atentamente, comprovamos os esquema, depois é só multiplicar por milhão.

Viomundo – Você disse que o Paulo Renato teve negócios com a Santillana e Prisa, como é isso?
NaMaria – Foi algo muito edificante do finado secretário. Publiquei no NaMariaNews, em 1/maio/2010, que a Secretaria estava comprando assinaturas do jornal espanhol El Pais, em 28 de abril, para os alunos dos CELs (Centros de Estudos de Línguas).

Naquele tempo não havia o valor, mas chutei entre 700 mil e 1 milhão de reais. Fiquei aguardando a atualização no DO e nada. Até que ela veio, primeiro corrigindo o número do contrato. Depois, somente no DO de 12/maio/2010 veio a história toda, sem a quantidade de assinaturas, porém com o valor:
 


Viomundo – E por que assinar o El Pais e não outro jornal?
NaMaria – Foi justamente o que perguntei em meu texto. Como bom tucano, Paulo Renato era contra o Mercosul, porém muito íntimo da espanhola Santillana, do qual era conselheiro consultivo, assim como era ligado à Editora Moderna.

"O Grupo Prisa é a principal empresa de comunicação em língua espanhola (...) A Santillana começou seus negócios no Brasil em 2001 ao comprar as editoras Moderna e Salamandra (...). Em 2005, adquiriu 75% das ações da editora Objetiva..." Também é dona da Avalia e outros que tais.
Quer dizer, tem poder de tiro e amizades sinceras com brasileiros ilustres.

Viomundo – Ou seja, é mais um tipo de modelo de negócios...
NaMaria – Sem dúvida. Só que tem uma coisa nessa história toda que é mais interessante ainda, babado forte...

Viomundo – Como assim? O quê pode ser pior do que isso?
NaMaria – Acontece que quase exatamente um ano após essa compra de R$ 690.336,00, Paulo Renato morre em 26 de junho de 2011 e o Ricardo Noblat noticia: Paulo Renato "estava em negociações para assumir a diretoria para a América Latina do grupo editorial espanhol Prisa, que publica o jornal El País, o mais importante da Europa".

Daí, que a gente só pode juntar as pontas, concorda? Ou seja, será que o Sr. Paulo Renato Costa Souza aproveitou a boa intenção de introduzir a língua espanhola (da Espanha) para fazer mais um bom negócio, semelhante àqueles feitos com a Folha de SP, Estadão, Civita, Abril, Nova Escola, Fundação Roberto Marinho e tais?

Longe de mim pensar em desonestidade, mas a coisa não parece ser na base dessa mão lavando a outra? Tipo assim, "Te compro os jornais numa boa – que são gratuitos pela internet, mas a gente nem liga pra isso – e você me garante um emprego com baita salário, viagens, cartão corporativo etc. e tal?" A função dessa gente é sempre a de se favorecer, acima de tudo? Será?

Mas é o que sempre digo: a função da verdade é aparecer, esta é a sua natureza. Pode demorar, mas aparece.

Portanto, o fato de o governo de São Paulo viver comprando e mantendo a grande imprensa tornou-se ato banal; faz isso há muito mais de 20 anos de PSDB, com maestria exemplar e sem restrições legais ou "pedagógicas".

Viomundo – Por que isso acontece?
NaMaria – Falta de transparência. Onde ela ocorre, pode crer: há algo escuso, algo de falcatrua.

É dever do Estado, de qualquer Governo, mostrar claramente os seus gastos e a fundamentação deles, as fontes do dinheiro, o destino dado, e assim por diante. Somente com transparência absoluta e simples de ser consultada PELO POVO pode-se comprovar a desonestidade e desmascará-la.

Mas isso não acontece. É complicado, quando não impossível, encontrar essas informações. Como a pessoa precisa ter tempo e paciência gigantescos, acaba desistindo e os números podem ser torturados por qualquer um, em qualquer veículo, em qualquer propaganda política... já que ninguém pode (ou quer) correr atrás.

Sem contar que os Diários Oficiais não seguem uma norma padrão – sem ser o de SP, a maioria é tenebrosa na hora de se buscar informações.

Viomundo – O que você recomendaria à presidenta Dilma se for reeleita?
NaMaria – Para rebater e estraçalhar falsos argumentos de criaturas como os Civita da vida, o governo Dilma deveria escancarar imediatamente seus gastos com a imprensa, seja em qual veículo for. A bem da verdade, o site do MEC tem os Gastos com Publicidade, de 2006 a 2014, mensais. Entretanto ainda sem tanta transparência, porque detalhes como a fonte dos recursos, unidade gestora, nomes dos veículos e o que vai dentro deles etc., não entram.

Mas, ao menos, tem alguma coisinha que faz a gente poder pensar. Só que "pensar, intuir" é perigoso e leva a erros, torturas de números, ataques, enganos.

É preciso o lema de São Tomé: mostrar, para ver e para crer. Além de não ser tão fácil de se encontrar a informação: você precisa ir na lateral esquerda em Despesas e depois ver o que tem dentro. Tudo vem em PDF: imagina a canseira abrir um por um, organizar... Poderiam melhorar isso. Confesso que não fui ver em outros ministérios, talvez sejam melhores ou piores.

De qualquer modo, deveria-se mostrar: "olha, para a Veja mandamos tantos milhões este mês por conta disso e daquilo, o dinheiro saiu daqui e dali; para a Folha mandamos tantos milhões porque tais e tais ministérios colocaram propaganda disso e daquilo; para a Globo e seus associados (abertos ou não) pagamos tantos milhões este mês porque fizemos tais e tais propagandas..."

Tudo mensalmente, em planilhas simples e claras, ao alcance de qualquer olho – publicadas, abertas, sem necessidade de download, mas transparentes de verdade.

Viomundo  É mesmo factível isso?
NaMaria   Claro! O problema é que, atualmente, é missão impossível porque nem o Governo informa isso claramente nem a grande imprensa o faz, é óbvio (e por motivos igualmente óbvios). 

Não dá para entender a Secom da Presidência não divulgar seus dados financeiros com qualquer veículo, por exemplo.

Por que os Estados, Municípios, Secretarias, Fundações, Santas Casas...  não divulgam seus gastos claramente? Seria muito mais fácil para os governos inclusive se defenderem, ou não?

Eu, como aranha [logomarca do NaMaria News]" ingênua, meiga e pura", não consigo compreender os motivos. Se quiserem ajuda, podem me contratar, numa boa (risos).

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Do Professor Silvio Prado ao "inimigo do ensino público" paulista

Impossível não publicar a carta abaixo, que está no Viomundo.

Infelizmente temos de lidar e aguentar esse senhor "desgovernado" por tanto tempo. São Paulo.

Felizmente temos a honra de ler o que o professor Silvio Prado escreveu: a mais pura verdade.
Ao professor nossos mais sinceros agradecimentos.



Carta ao governador Geraldo Alckmin

Governador, estou fazendo um árduo trabalho com a memória visando descobrir ou lembrar de alguma obra que o senhor tenha feito e, devido a importância dela, justifique sua atual candidatura ao governo de São Paulo.

Na área da educação, falando seriamente, não encontrei nada que justifique a continuidade de seu governo, mas sim motivos para enquadrá-lo como inimigo do ensino público e dos professores.

Na saúde, também está difícil. Basta dar uma entradinha em qualquer hospital que o senhor colocou nas mãos das Organizações Sociais para constatar o tamanho do horror!

Isso sem contar a sua tentativa de vender 25% das vagas do SUS para os grupos privados de saúde.

Na segurança pública, com sua polícia matando por atacado e com o crime organizado agindo dentro dos presídios como parceiros do Estado, nem que eu tenha um aparelho de ultrassom no lugar dos olhos descobrirei justificativas decentes para sua reeleição.

Também, sempre curioso, fui dar uma olhadinha no setor de transportes e nele, incrível, descobri um negócio chamado Trensalão. Quer dizer, um baita escândalo onde gente tucana surrupiou durante quase 20 anos mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos paulistas.

Pelo que vi, o Trensalão é o grande e vistoso primo rico do Mensalão e, por ser muito mais chique, envolve a partir dos governos tucanos (inclusive o seu), o Metrô de São Paulo com refinados bandidos de multinacionais como a Alston, Siemens, Bombardier etc.

Mesmo que durante um dia ensolarado, imitando um filósofo grego da Antiguidade, eu me aposse de uma lanterna e saia procurando motivos para reelegê-lo, será difícil encontrá-los. Portanto, governador Geraldo, me explique ou me dê motivos claros para sua reeleição.

Como posso votar num homem que foi peça fundamental no drama humanitário ocorrido com o massacre do Pinheirinho, em 22 de janeiro de 2012, onde oito mil seres humanos foram arrancados de suas casas, sob balas e bombas da polícia, jogados na rua e, no dia seguinte, horrorizados, viram tratores derrubando suas casas ainda repletas de moveis, roupas e todos os poucos bens materiais que sustentavam sofrivelmente a vida daquela gente tão pobre?

E as intervenções policiais na USP, para calar estudantes e trabalhadores que lutam tenazmente contra a depreciação e a privatização daquela universidade? Também tem o problema da Cracolândia, em São Paulo, onde o senhor, para sanar o problemas gerados pelo consumo do crack, insiste em usar remedinhos truculentos fabricados nos laboratórios da academia do Barro Branco.

Não vou citar aqui seu envolvimento com os fanáticos do Opus Dei, que certamente deve tê-lo influenciado em algumas medidas medievais de seu governo, como a de impor exames capazes de constatar a virgindade de funcionárias que deveriam ser contratadas na área do ensino.

Mesmo que um bando de anjos me rodeassem suplicando meu voto para sua reeleição, governador, não tenho como dizer sim. Como professor do estado, eu o tenho como algoz impiedoso da educação pública. Em seu governo, toda escola caminhou na direção da privatização e acabou virando uma sementeira de escândalos sem fim, principalmente em reformas de prédios ou em compras — sem licitação — de jornais e revistas que lhe dão tranquila blindagem na grande mídia.

Veja, governador, que na recusa em lhe dar o voto nem toquei no caso das imagens dignas de “Vidas Secas” que a sua incompetência criou na desadministração da SABESP, com o complexo Cantareira sem um pingo d’água, gente na grande São Paulo deixando de tomar banho, lavar roupas e louças, enquanto, na maior cara de pau, o senhor procura sair de fininho e tenta, com a colaboração da grande mídia, jogar toda a culpa em São Pedro.

Portanto, é impossível sair de casa no dia 5 de outubro para avalizar um governante que só não foi investigado e permanece no poder porque, na Assembléia Legislativa, mantém e sustenta um bando de deputados amigos, sempre dispostos a defender a chefia em troca de migalhas chamadas emendas parlamentares ou de cargos para parentes e amigos em escalões do governo.

Se os números das pesquisas forem verdadeiros, suas chances eleitorais permanecem grandes.

Porém, o que fazer se o eleitor paulista não consegue perceber o obvio, ou seja, a sua ação destrutiva e a seqüência de atos que não compactuam com a grandeza de um estado exemplarmente rico, mas, infelizmente, medíocre em termos políticos? E hoje, sem dúvida, sua figura pública é o que melhor exemplifica a mediocridade que emperra o desenvolvimento humano e social de São Paulo. Portanto, governador, meu voto não será seu, jamais!

Silvio Prado
Professor da Rede de Ensino Estadual

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Alkmin e o vale tudo na notícia: Lula Seja Louvado


O deputado federal Roberto Freire (PPS), pagou "mó mico" de todos os universos hoje, no Twitter e que tais, ao comentar para seus mais de 14 mil seguidores uma pérola criada pelo não menos magnífico G17:



Seria cômica se não fosse tão trágica a falta de conhecimento estrutural do Sr. Roberto.

Porém, para compensar tamanha expertise, um buraco mais fundo surgiu há pouco. Olha só a "catiguria" da defesa do nosso distinto senhor governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, depois da vergonha total, ampla e irrestrita pela qual passou seu fiel correligionário Roberto Freire.

Disse Alkmin no Twitter:



Fala aí, gente do bom jornalismo, isso não explica a preferência de Alkmin e confrades pela Veja e afins?

Vale o repeteco, em cor condizente, só para firmar bem a lógica do governador de São Paulo:

"Ninguém é obrigado a verificar a veracidade da notícia antes de publicá-la."
Geraldinho liberou geral?
Cachoeira seja louvado...

** Em tempo: o post defensório é fake, viu Betão?
Não vai cair nessa também. Repare na grafia. Mas o que você disse, não. Alvíssaras!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

CartaCapital quer saber: Por que só a Veja, Época e IstoÉ?

No dia 13 de setembro passado, o NaMariaNews publicou em primeira mão o texto Alckmin: 9 milhões pela fidelidade da 'Proba Imprensa Gloriosa' sobre as novas compras de revistas (Veja, Isto É, Época) e jornais (Folha de SP, Estado de SP) pela Secretaria de Estado da Educação, precisamente através da Fundação para o Desenvolvimento da Educação - FDE. Os contratos assinados pelo atual presidente da FDE, o Sr. José Bernardo Ortiz Monteiro, chegam ao total de R$9.074.936,00.

No mesmo texto foi salientado que, como de costume, não foram assinados contratos com a revista CartaCapital. Embutido nisso a pergunta fatal: e por que não?

No dia 16 de setembro, Mino Carta publicou on-line seu editorial "A mão que lava a outra" (versão impressa: n. 664, 21/setembro, pág. 21) e muito nos enobreceu com o seguinte parágrafo:
"Neste exato instante, recebemos a informação de que, na esteira do ex-governador José Serra e do seu ex-secretário da Educação Paulo Renato, o atual presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), José Bernardo Ortiz Monteiro, acaba de renovar contratos para o fornecimento de assinaturas com as revistas Época, IstoÉ e Veja, e os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo pelo valor total de 9 milhões de reais e alguns quebrados. Não houve licitação, está claro, assim como está que CartaCapital foi excluída mais uma vez."

Pois não é que neste exato instante recebemos a informação de que a CartaCapital está pedindo oficialmente à presidência da FDE explicações sobre tais compras? Sim, está.

Agora, CartaCapital pergunta o que o blog NaMariaNews sempre quis saber em uma porção de textos publicados desde o seu nascimento, em junho de 2009.
  • Por que comprar para as escolas públicas de SP somente a Veja, Isto É e Época?
  • Não há outras publicações similares ou melhores no mercado?
  • Qual é a justificativa "pedagógica" e/ou legal para tais compras sem licitação?
  • Com qual dos orçamentos da Secretaria de Educação a FDE executa tais compras? Já que a FDE não tem orçamento próprio e o que ela executa é a mando da Secretaria, em especial aquelas do campo pedagógico. Ou seja: alguém dentro da SEE é responsável pelo negócio das assinaturas. Quem seria e como se fundamentaram as aquisições?

Justificando o injustificável

Não é a primeira vez que compras dessa natureza são questionadas legalmente. Por exemplo, em 2009 a ONG Ação Educativa encaminhou ofício à presidência da FDE e obteve, após insistência, cópia de todo processo do contrato 15/1165/08/04 (Diário Oficial 1/10/2008 e 25/out/2008) referente à compra de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola, da Fundação Victor Civita, ligada à Abril, da Veja - no valor de R$3.700.000,00. Tudo sem licitação, usando a lei 8.666.

A partir da análise dos dados, a Ação Educativa obteve um avanço histórico:
"Em 26 de maio [2009], o Ministério Público de São Paulo então propôs ação civil de responsabilidade por ato de improbidade administrativa contra o Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, a Diretora e o Supervisor de Projetos Especiais, ambos da FDE, bem como contra a Fundação Vitor Civita.
"A Ação, que tem como fundamento possíveis irregularidades no contrato firmado sem licitação entre a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) e a Fundação Victor Civita, requer a responsabilização dos agentes públicos por condutas que podem ser caracterizadas como improbidade administrativa e ainda tramita na Justiça Estadual."
Trata-se do processo 0018196-44.2009.8.26.0053 (053.09.018196-7), que pode ser acompanhado no site do Tribunal de Justiça de São Paulo (ver aqui).

O pedido da Ação Educativa é muito semelhante ao que a CartaCapital faz agora. Os documentos entregues pela FDE à ONG podem ser lidos aqui. Entre eles, uma "pérola", assinada por Inácio Antonio Ovigli, então supervisor da Diretoria de Projetos Especiais, cujo conteúdo muito interessa ao NaMariaNews e à CartaCapital, a justificativa dos compradores - no caso, a SEE por meio da FDE. Alguns trechos:
"Para o atendimento das Diretrizes para o Ensino de Língua Portuguesa (Leitura, Escrita e Comunicação Oral) e Matemática, e na busca de superar mais essa condição problemática para a aprendizagem dos alunos, a SEE/SP vai implantar um programa de distribuição de materiais de apoio didático-pedagógico para alunos e professores, composto de livros, revistas, fascículos e outros suportes da escrita, destacando-se, entre essas publicações, a Revista "Nova Escola".

"Tem uma pauta editorial que privilegia matérias de orientação e elaboração de planos de aulas, além de uma variedade de temas sobre a atualidade de interesse da área educacional, abordados em reportagens, entrevistas, resenhas, depoimento de professores e alunos.

"Na pesquisa de mercado realizada no período de seleção da obra a ser adquirida, não foi localizada obra similar com as mesmas características da Revista Nova Escola. Por essa razão, foram solicitadas notas fiscais à responsável pela sua publicação, com a finalidade de comprovar que o preço a ser pago pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação é compatível com o preço cobrado pela editora às outras instituições que adquiriram essa obra.

"Desse modo, solicitamos as providências necessárias junto à editora para a aquisição do título Nova Escola, publicada com exclusividade pela Fundação Victor Civita"
.

Evidentemente a Ação Educativa contestou esses e outros argumentos da FDE. No mínimo três pontos merecem destaque. Mas o terceiro, sem dúvida, é uma "perolona", que desvenda muito mais do que se pode imaginar sobre o fabuloso mundo dos projetos dito educacionais. Atentem bem – os grifos em negrito são da Ação Educativa, o vermelho é do NaMariaNews:

1º) A lei federal 8.666 de 21 de junho de 1993 (que "estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios", incluindo a inexigibilidade de licitação) foi desacatada em seu artigo 25, que deixa claro ser vedada "a preferência de marca, que ocorreu explicitamente neste caso, uma vez que outras editoras não foram sequer consultadas".

2º) A revista Nova Escola não tem exclusividade temática. "É importante mencionar ao menos duas outras revistas que poderiam ser escolhidas para cumprir as mesmas funções da Revista Nova Escola, tais como as descritas em seu processo de compra: a Carta na Escola, Editora Confiança Ltda, e a Revista Educação, da Editora Segmento Ltda".

3º) "De acordo com os documentos (fls. 4-12 do processo FDE n. 15/1165/08/04), a motivação inicial para a elaboração do contrato foi uma carta encaminhada em 1/9/2008 pela Fundação Victor Civita à então Secretária de Educação Maria Helena Guimarães de Castro, propondo parceria, com descrição da proposta pedagógica da Nova Escola, preços e condições, além de cronograma de postagem. Ora, o contrato não partiu de uma necessidade da Secretaria de Estado, mas sim de uma oferta realizada pela Fundação e aceita pela Secretaria, que viabilizou seus termos sem consulta a outras editoras ou, principalmente, aos destinatários diretos da compra – os docentes". (Fonte – Ação Educativa)

O que mais precisa ser dito?

Aguardemos a justificativas que apresentarão à CartaCapital às compras das revistas e jornais nesta nova administração da Educação e da FDE. Talvez fosse de bom alvitre pedir-lhes que mostrem não apenas o atual contrato, mas os anteriores também.

Em entrevista dada à Conceição Lemes, do Viomundo (em 14/outubro/2010), o NaMariaNews mostrou a dinheirama que o ex-governador José Serra (via o finado ex-secretário de Educação Paulo Renato Costa Souza, o então presidente da FDE Fabio Bonini Simões de Lima, a diretora de Projetos Especiais da FDE Cláudia Rosenberg Aratangy, o supervisor de Projetos Especiais Inácio Antonio Ovigli) pagou à imprensa e certas editoras, a título de execução de "projetos pedagógicos": mais de R$250 milhões, quase absolutamente tudo sem licitação.

Daquele total (parcial), comprovados com dados do Diário Oficial, "para a Editora Abril/Fundação Victor Civita [de 2005 a 2010] foram entregues R$52.014.101,20 para comprar milhares de exemplares de diferentes publicações", entre elas a Revista Nova Escola, além da Veja, Almanaque do Estudante, Revista Recreio e Atlas da National Geographic.

Para arrematar, quero repetir o que disse naquela entrevista à Conceição Lemes: "com esse dinheiro, poderiam ser construídas quase 13 escolas ou 152 salas de aula novinhas, com capacidade para mais de 15 mil alunos nos três períodos – considerando que uma escola com 12 salas custe R$4,1 milhões, e cada sala custe cerca de R$340 mil".

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Alckmin: 9 milhões pela fidelidade da 'Proba Imprensa Gloriosa'

- E seu Barão assina os jornais e revistas para as Escolas Públicas.


Interrompemos nossas saudáveis férias nas paradisíacas selvas de Bornéu para informar que a chuva é molhada, o sol é quente, a grama é verde e a Educação de São Paulo continua a mesma, embora sob completa nova direção.

O Barão de Taubaté, ou melhor, o Sr. José Bernardo Ortiz Monteiro é o presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) desde sua nomeação pelo Governador Geraldo Alckmin, em janeiro deste ano. Pois não é que depois de ferrenha labuta nas negociações, Ortiz acatou ordem superior e assinou milhares de exemplares de jornais e revistas do PIG (Proba Imprensa Gloriosa) – para as melhores escolas públicas do mundo, cujos professores são também os mais bem remunerados do planeta? Sim. Exatamente como fizeram seus antecessores, o ex-governador José Serra e o finado Paulo Renato Costa Souza, ex-secretário de Educação de SP, o Barão de Taubaté fechou com a Folha de SP, Estadão, Revista Veja, IstoÉ e Época. Tudo, como sempre, sem licitação.

Desnecessário dizer que, mais uma vez, a Carta Capital não aparece no rol dos favorecidos.

Eis os contratos, datas e seus valores, de acordo com o Diário Oficial:
  • 27/julho/2011Época
    - Contrato: 15/00628/11/04
    - Empresa: Editora Globo S/A
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 (cinco mil e duzentas) assinaturas da "Revista Época" - 52 Edições, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo - Projeto Sala de Leitura.
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 1.203.280,00
    - Data de Assinatura: 26/07/2011
    (*Primeiro comunicado no DO em 12/julho/2011)
  • 29/julho/2011 Isto É
    - Contrato: 15/00627/11/04
    - Empresa: Editora Brasil 21 LTDA
    - Objeto: Aquisição pela FDE, de 5.200 (cinco mil duzentas) assinaturas da "Revista Isto É", 52 Edições, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo - Projeto Sala de Leitura.
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: 1.338.480,00
    - Data de Assinatura: 25/07/2011.
    (*Primeiro comunicado no DO em 12/julho/2011)
  • 3/agosto/2011Veja
    - Contrato: 15/00626/11/04
    - Empresa: Editora Abril S/A
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 (cinco mil e duzentas) assinaturas da “Revista Veja”, 52 Edições, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo
    - Projeto Sala de Leitura
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 1.203.280,00
    - Data de Assinatura: 01/08/2011.
    (*Primeiro comunicado no DO em 12/julho/2011)
  • 6/agosto/2011Folha
    - Contrato: 15/00625/11/04
    - Empresa: Empresa Folha da Manhã S.A.
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 (cinco mil e duzentas) assinaturas anuais do jornal “Folha de São Paulo”, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo - Projeto Sala de Leitura
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 2.581.280,00
    - Data de Assinatura: 01/08/2011.
    (*Primeiro comunicado no DO em 23/julho/2011)
  • 17/agosto/2011 Estadão
    - Contrato: 15/00624/11/04
    - Empresa: S/A. O Estado de São Paulo
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas anuais do jornal “O Estado de São Paulo”, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo - Projeto Salas de Leitura.
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 2.748.616,00
    - Data de Assinatura: 01-08-2011.
    (*Primeiro comunicado no DO em 23/julho/2011)
Total: R$ 9.074.936,00.
Você pode comparar os valores e quantidades dos anos anteriores nas tabelas deste texto.

Extenuado de tanto firmar tão bons acordos pedagógicos, o presidente da FDE, José Bernardo Ortiz Monteiro, como faz qualquer funcionário público, foi ter uns dias de férias lá na Europa.
Oh là là
!

Alvíssaras, confrades.


PS - Agradeço ao gentil comentarista desta casa,
em texto sobre os contratos do Estado (leia-se José Serra via Prodesp)
com a empresa de escutas/grampos e que tais,
Fence Consultoria, que escreveu o seguinte:
Para achar coisa do PSDB é uma aranha,
mas contra o petismo é mosca morta

A ele nossa inteira concordância.
Há mesmo seres mutantes em todas as esferas.
Por exemplo, caro comentarista:
por vezes alguns são uma araponga, mas em outras também um tucano.