sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Pequenos negócios da Fundação Roberto Marinho na SEE-SP

Já mostramos alguns inexplicáveis contratos governamentais de São Paulo, sobretudo da Secretaria de Educação, praticados sob o manto da inexigibilidade de licitação, como aqueles com Editora Abril, Folha de SP, Estadão, El País etc., porque alegam não haver similares no mercado.

Agora vamos mostrar um novo e estupendo modelo de negócios que, não se sabe o motivo, resolveu fazer o caminho inverso: licitar. A SEE-SP (e muita gente mais no Brasil) faz licitação, cria editais, exige altíssimas especificações técnicas, mas só compra das mesmas empresas os produtos que só são produzidos por uma única empresa. Não sacou nada? Ora pois, lá vamos nós.

É justo o caso das negociações feitas com a Fundação Roberto Marinho, da Rede Globo, para compras do Novo Telecurso, aquele programa que passa no auge das madrugadas, perfeito para os que não tiveram chance de estudar nem em idade nem em escola ideais e, então, partem para esse tipo de suplência.

Funciona assim o troço: a prestimosa Fundação Roberto Marinho (doravante FRM) licenciou por razões que a razão desconhece três e apenas três editoras para vender em todo país os materiais didáticos do Telecurso. São 17 livros – aluno e professor – e 52 fitas para a 5ª e 8ª série do ensino fundamental; e 19 livros e 60 fitas para o ensino médio (como ninguém envolvido atualizou os sites, sugiro que o esperto leitor substitua a palavra fitas por DVD's, que são os produtos atuais).

Você já deve ter ouvido falar da Editora Posigraf (da Positivo), IBEP Gráfica LTDA (a favorita da Educação de SP), mas não ouviu nada ou quase nada sobre a Editora Gol LTDA (do "Grupo Gol"). As três empresas concorrem no Brasil todo, sempre. Estão juntas na maioria dos certames licitatórios, salvo em raras ocasiões em que singelas papelarias, livrarias depósitos e que tais também dão o ar da graça, como em casos recentes no Distrito Federal (recorra ao cache sem medo) e Pernambuco (ver tudo). As três empresas são campeãs de vendas em São Paulo (e Brasil) com outros produtos, serviços e modus operandi. Os Governos Federal, Estadual e Municipal são instados a comprar os produtos do Novo Telecurso da FRM desse e tão somente desse trio editorial.

Enquanto as três concorrem unidas nos pregões, ao mesmo tempo cada uma delas é responsável pelo abastecimento e vendas em determinadas regiões do Brasil, de qualquer material produzido pela FRM (Novo Telecurso, Telecurso Tec (em parceria com o Paula Souza de SP): Telecurso Profissionalizante, Tecendo o Saber, Aprendiz Legal e Kit Sexualidade, Prazer em Conhecer). No site do Novo Telecurso está tudo explicado:
  • Norte e Centro-oeste: Editora IBEP (CNPJ 09.266.421/0001-33 – de São Paulo);
  • Nordeste: Editora Posigraf (CNPJ 79.719.613/0001-33 – de Curitiba);
  • Sul e Sudeste: Editora Gol (CNPJ 03.782.338/0001-30 – aparentemente com sede no Rio de Janeiro).
Portanto, se algum Estado quiser adquirir as apostilas e DVDs do Novo Telecurso, terá que fazer como fez a FDE em São Paulo, há exato um ano. Siga os passos:
... FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para a aquisição de publicações e dvd’s - “Novo Telecurso”...;
Despacho da Diretora de Projetos Especiais de 10-08-2009 - Homologando

- O procedimento licitatório, relativo à aquisição de Publicações e DVD’s - “Novo Telecurso” – Ensino Fundamental, à empresa Editora Gol Ltda., 1ª classificada no Pregão Presencial nº 15/0514/09/05.


- O procedimento licitatório, relativo à aquisição de Publicações e DVD’s - “Novo Telecurso” - Ensino Médio, à empresa IBEP Gráfica Ltda., 1ª classificada no Pregão Presencial nº 15/0533/09/05
.
- Contrato: 15/0514/09/05
- Empresa: Editora Gol Ltda.
- Objeto: Aquisição de publicações e dvd's - “Novo Telecurso”
- Prazo: 30 dias
- Valor: R$ 4.000.000,00
- Data de Assinatura: 25/08/2009.
- Contrato: 15/0533/09/05
- Empresa: Ibep Gráfica Ltda.
- Objeto: Aquisição de publicações e dvd's - “Novo Telecurso”.
- Prazo: 30 dias
- Valor: R$ 8.999.994,71
- Data de Assinatura: 27/08/2009.

Licitar ou não licitar, eis a questão


Acontece que nem sempre as compras com as editoras citadas são executadas após um pregão. Há casos em que lançam mão da tal inexigibilidade, principalmente, ao que aparece nas buscas, no caso de muitos municípios paulistas e do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. Por exemplo, no dia 18/maio/2010, o DO publicou que o CEET Paula Souza resolveu gastar R$ 400.750,00 na obscura aquisição de livros e kits de DVD's à Editora Gol.
Em 17/agosto/2010, a cidade de Cotia (SP) fez contratação de empresa para aquisição de sistema educacional - Telecurso para atender a toda rede Municipal de Ensino (EJA - Educação para Jovens e Adultos), no valor de R$ 192.536,80. A empresa no caso foi a mesma Editora Gol. A cidade de Jaguariúna, em 21/outubro/2009, também pagou à Gol sem licitar R$ 8.977,50 por 270 livros (material do aluno) a serem utilizados nas salas de Telecurso (em 4/junho/2009 houve a compra de R$ 44.514,00 em livros e DVD's), e assim por diante - no DO-SP podem ser encontradas miríades de exemplos.

Em lugar incerto e não sabido

Não dá para saber se tais aquisições foram (ou são) feitas obedecendo esta ou aquela regra da Lei das Licitações porque o DO não nos informa. O fato é que a Editora Gol leva, pelo menos em SP, a maioria absoluta das contratações inexigíveis de licitação. Talvez porque ela seja a responsável pelos materiais da FRM na região Sul e Sudeste? Vai saber; o DO é muito confuso mesmo, não esclarece a vida.

Especializada na publicação de CD's de Bíblias Sagradas na voz de Cid Moreira, piadas do Casseta & Planeta, vidas santificadas (com Hebe Camargo e Chico Anísio) e com mais de 250 gravados em seu acervo, ou ainda por desenvolver e disponibilizar aplicativos para iPhones na AppStore da Apple, Jornal O Globo e Revista Quatro Rodas, a Gol iPhone também criou aplicativos para o Jornal New York Post, nota-se que em nenhum dos sites do tal Grupo Gol, muito menos no da Editora Gol, encontra-se um mísero endereço da empresa. Os telefones de SP citados no site do Telecurso não atenderam em nossas árduas tentativas nesta semana. Recorrendo ao padroeiro Google, vê-se que há um resultado no bairro dos Jardins (Rua Padre João Manuel 450, conj. 71); o telefone é o mesmo que só chama. Se confiarmos nos dados fornecidos ao Ministério da Fazenda, o CNPJ da Gol indica que a coisa fica no município de Santana do Parnaíba (imagem ao lado). No RegistroBr o site do Grupo Gol acaba remetido ao nome de Goal Discos LTDA (ver 1 ; 2 e 3), todos sob o mesmo responsável e endereço físico. Nas negociações em geral (vide em BH, por exemplo), o único nome (representante credenciado) que aparece pela Editora Gol é o do seu Diretor Comercial, Sr. Nataniel Paulo Kochenborger, que, aliás, rende outros momentos edificantes nas buscas, experimente aí.

Outros negócios da FRM com São Paulo

Para te poupar de um monumental histórico das relações entre a Secretaria de Educação de SP e a Fundação Roberto Marinho/editoras - que facilmente encontra-se em DO desde priscas eras, com famosa editora aqui citada - vamos a um brevíssimo resumo com fatos mais atuais.
CEET Paula Souza - Superintendência
- Proc. 3238/05 - Contrato 245/05
- Contratante: Ceeteps
- Contratada: Fundação Roberto Marinho
- Objeto: Prestação de serviços de desenvolvimento de Programa de Formação Técnica e Qualificação Profissional
- Valor: R$ 17.882.398,00
- Prazo de execução: 18 meses
- Elemento Econômico: 33903999
- Prazo de vigência: 60 meses - Unidade: Administração Central
- Data da assinatura: 16/12/2005.
Declarando dispensável a licitação do processo 15/0356/08/04 referente a contratação do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (...) e Fundação Roberto Marinho (...), ambos da Lei Federal 8.666/93 e suas atualizações, para oferecer Cursos de formação técnica e qualificação profissional a alunos do Ensino Médio, com a implementação de ações destinadas à implantação do Projeto de Diversificação Curricular, envolvendo Gestão do sistema de Coordenadoria pedagógica e elaboração e implementação do projeto a serem executados pelo "Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza"- Ceeteps, órgão que integra a administração pública e pela "Fundação Roberto Marinho", entidade sem fins lucrativos. Ato ratificado pelo Presidente da FDE nos termos do Art. 26 da referida Lei.
Contrato: 15/0356/08/04
- Empresa: Fundação Roberto Marinho e Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza
- Objeto: Prestação de serviços técnicos especializados, dentro do “Projeto TELECURSO TEC, para implementar o curso técnico de Gestão de Pequenas Empresas, na modalidade semipresencial, atingindo até 50.000 (cinqüenta mil) alunos da rede pública de Ensino Médio do Estado de São Paulo - Prazo: 730 dias
- Valor: R$ 18.021.962,00
- Data de Assinatura: 04/04/2008
Despacho da Diretora de Projetos Especiais de 10-07-2008 - Homologando
O procedimento licitatório, relativo à contratação de empresa para a aquisição de publicações de DVD’s para implementar o Curso Técnico de Gestão de Pequenas Empresas dentro do Projeto Telecurso Tec., à empresa IBEP Instituto Brasileiro De Edições Pedagógicas Ltda., 1ª classificada no Pregão Presencial nº 15/0710/08/05.
Contrato: 15/0710/08/05
- Empresa: IBEP – Instituto Brasileiro de Edições Pedagógicas
- Objeto: Aquisição de Publicações e DVDs para implementar o Curso Técnico de Gestão de Pequenas Empresas dentro do Projeto Telecurso Tec.
- Prazo: 75 dias
- Valor: R$ 2.479.997,00
- Data de Assinatura: 16/07/2008.
Contrato: 15/0356/08/04
– Empresa: Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza e Fundação Roberto Marinho.
– Objeto: Termo de Aditamento n.º1
- Valor: R$2.399.634,00
– Data de assinatura: 18/11/2008.
Contrato: 15/0356/08/04
- Empresa: Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza e Fundação Roberto Marinho.
– Objeto: Termo de Aditamento 2,
– Prazo: 06 meses
– Data de assinatura: 01-04-2010.
*OBS.: o valor não foi esclarecido em DO
No dia 15/abril/2008 sai publicado no Diário Oficial o Pedido de Informação Nº 146 do Deputado Estadual do PT Roberto Felício, feito no dia anterior, em plenário. No documento ele pergunta sobre alguns temas do contrato 15/0356/08/04 que foram tratados aqui. Desnecessário dizer que não se encontrou continuidade, se as respostas foram enviadas não se sabe.

O Tribunal de Contas de SP, por seu lado, obviamente julgou tudo isso e mais um pouco completamente natural e correto.

Momento questionário básico
  • Qual o motivo de fazer licitações se os produtos da Fundação Roberto Marinho, tais como o Novo Telecurso, são objetos exclusivos da FRM? Não caberia a formosa inexibilidade?
  • Quem estabelece as especificações técnicas para os editais de pregão para as compras à FRM: o contratante ou o contratado? (Vide as preciosidades nos editais da FDE em links acima).
  • Quais os critérios de escolha da FRM para licenciar as editoras citadas? Como proceder para que a minha ou a sua editora entrem também no rol das licenciadas?
  • Em quais casos compra-se direto das editoras?
  • Os preços praticados nas compras sem licitação são os mesmos das licitadas, que são menores? Ou seja: pagamos pelas apostilas algo entre R$20,00 a R$27,00 ou os R$35,00 (às vezes mais) que podemos ver nas livrarias?
  • Qual é a da Editora Gol, já que perto da Posigraf e Ibep ela parece "não existir"? Onde fica o seu "parque gráfico", por exemplo? E o resto?

Voltamos

Depois de perder tempo em férias.


Estamos numa nice.



Em breve aqui tem coisa.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Editora Abril: outros bons negócios com a educação paulista

Estávamos nós buscando atualizações da ilicitada compra do El País, pelo Sr. Paulo Renato Costa Souza, em nome da Diretora de Projetos Especiais da FDE (Sra. Cláudia Aratangy) e ratificada pelo Presidente da FDE (Sr. Fábio Bonini) , para os CEL's paulistas, quando eis que nos deparamos com esta pequena nota no Diário Oficial (30/abril/2010):



Quer dizer: o número do processo/negócio é outro. Agora para o El País vale o 15/00363/10/04.

Vai daí que não custava nada observar quem seria o dono do número corrigido, o tal 15/00024/10/04.

Hello! Surprise!
Trata-se de outro grande fornecedor/parceiro/negócio/material-pedagógico/projeto da exemplar Educação Paulista, já citado aqui em outras eras, mas que vamos mostrar porque reincidente:

DO - 2/abril/2010 (repetido em DO 6/abril, mas não sabemos a razão):
- Contrato: 15/00024/10/04
- Empresa: Editora Abril S/A
- Objeto: Aquisição de 540.000 exemplares do Guia do Estudante - Atualidades Vestibular 2º semestre 2009 - Edição 10, e 27.500 exemplares da publicação Revista do Professor – Atualidades, destinado a 3.530 unidades escolares e 92 Diretorias de Ensino.
– Prazo: 45 dias
- Valor: R$ 3.177.400,00
- Data de Assinatura: 30/03/2010.
O aviso da compra - sem licitação - foi feito em 20/março. E lá se vão mais uns trocados para a Abril. Quando foi mesmo que o Sr. José Serra deixou o governo? Dia 31 de março.

Teremos de reajustar aqueles R$ 81.238.033,73 anteriores.

Só para constar, a Prefeitura de SP segue na mesma valsa. O Paulo Renato do Município de Kassab, Alexandre Alves Schneider, aquele moço que fica ao celular em cerimônias públicas, enquanto o Governador discursa, concedeu semelhante benesse à Fundação Victor Civita. Aos moldes da FDE, comprou sem licitar 43.932 assinaturas anuais da Revista Nova Escola para os profissionais do quadro de magistério da Rede Municipal de Educação, pela bagatela de R$ 1.094.785,44. Duvida? Confira a imagem retirada do DO de 10/abril/2010.



PS - Será que algum professor poderia nos dizer como esses materiais efetivamente são usados nas escolas?

sábado, 1 de maio de 2010

Paulo Renato y sus hermanos de España - Relações de um projeto pedagógico

Qual razão para incentivar que os alunos de escolas públicas paulistas estudem a língua espanhola? Para que eles possam participar do esforço pela integração latino-americana, em especial a proporcionada pelo Mercosul.

Mas se o governo do PSDB é declaradamente contrário ao Mercosul, então eles não fazem nada para que a língua dos nossos hermanos seja estudada nas escolas estaduais, certo?

Errado. Para comprovar, o governo de São Paulo está comprando jornais para os alunos estudantes de espanhol. Qual jornal? Argentino, chileno, uruguaio, venezuelano ou paraguaio...? Diários desses países poderiam ajudar na prática da língua espanhola e, também, possibilitar que os estudantes conheçam a realidade dos vizinhos do nosso continente, não é?

Não, claro que não. O PSDB é contra o Mercosul e por isso não assinaria jornais desses países. Então o que fez o governo do PSDB de São Paulo, em especial a Secretaria da Educação? No dia 28/abril/2010 lançou em Diário Oficial a seguinte compra sob o número 15/00024/10/04:



Que bacana. Ou seja, o Sr. Paulo Renato Costa Souza aproveita a boa intenção de introduzir a língua espanhola para fazer mais um bom negócio, semelhante àqueles feitos com a Folha de SP, Estadão, Nova Escola, Fundação Roberto Marinho...

Mas por que o El País e não jornais dos participantes do Mercosul? Porque o PSDB, com seu contumaz elitismo, continua de costas para a América Latina e de olho na Europa e nos EUA. Não que o El País seja um tenebroso jornal, afinal reconheceu Lula e Dilma Rousseff como "Líderes de 2009", mas qual é o sentido de comprar só ele – e com dispensa de licitação? Será que aí tem coisa?

Amigos y negocios de siempre

Pues veyamos. Lembremos que o El País pertence à Prisa, cuja qual é dona, também, do Grupo Santillana e como já mostramos aqui e no Cloaca News, o grande pensador Paulo Renato Costa Souza, Secretário da Educação do Governo Serra, é Conselheiro Consultivo da Fundação Santillana. Seu escritório, PRS Consultores, fica (ainda? não dá para saber, o site sumiu) no mesmo edifício/14º andar (Av. São Gabriel 201) e dava assessoria à Santillana (entre várias, como a Fundação Lemann, Positivo, Moderna, Gerdau). Assim como outro escritório (de seu filho), a Prismapar, que tem como clientes a própria Santillana, bem como outra editora da Prisa, a Moderna, que por sua vez tem a Avalia Assessoria Educacional, que fica no mesmo edifício/14º andar e é cliente da PRS Consultores (repare atentamente nesta foto institucional). Fato interessante, pesquisas indicam íntima relação do Sr. Paulo Renato e a Avalia, uma instituição especializada na avaliação de escolas e sistemas educacionais das redes particular e pública. Resultado da soma da experiência de instituições de renome como o Grupo Santillana, Fundação Carlos Chagas e a Paulo Renato Souza Consultores... Será que uma coisa teria a ver com a outra?

Acompanhando o incentivo do aprendizado do espanhol da Espanha através dos CEL's e celebrando a chegada do El País nas salas de aula paulistas, a famosa Rede do Saber – também citada aqui, no espetacular caso arquivado das antenas parabólicas – abraçou o projeto “El País nas Escolas” (registrado em nome da Editora Moderna), sob a tutoria de Elena María Barcellós Morante, cujo vídeo altamente explicativo da teleconferência do dia 20/abril pode ser visto aqui.

Pelo DO ainda não se sabe o preço ou as quantidades a serem adquiridas. Mas pelas imagens sabe-se do plano de enviar 1 exemplar para cada 10 alunos. Também fica-se sabendo que há cadernos do aluno e do professor e que a primeira entrega dos materiais foi em 27 de abril, antes, portanto, da publicação do negócio no DO. Os exemplares deverão chegar às terças-feiras, até novembro/2010. Entretanto, aos 13:48 a primeira professora a falar na teleconferência, após os responsáveis discursarem as maravilhas do projeto, já entrega que não recebeu o caderno do professor; em seguida a justificativa da SEE. De acordo com o regulamento, os alunos deverão produzir um jornal, os melhores serão premiados. Estranhamente, não há qualquer referência sobre a tal premiação no site mencionado, também não há outras informações relevantes do tipo: quem já participou, quantos alunos, os trabalhos realizados, os resultados obtidos; não há qualquer forma de avaliação das metas, não aparece nenhum produto, não há interação. Que projeto é esse, afinal? Temos de nos contentar com o PDF das apostilas do aluno e do professor se quisermos tirar conclusões ínfimas.

Ao dar umas vistas nos valores das assinaturas praticados, juntar com uma estimativa de alunos/CEL's, analisar os astros etc., concluímos que apostar entre 700 mil e um milhão de reais pode ser quanto a SEE vai gastar na façanha de ensinar espanhol para alunos utilizando jornal + técnicas jornalísticas + exemplares do periódico (+ algumas coisas que nem podemos supor). Pouco dinheiro? Já é um começo.
Vamos aguardar as atualizações em DO.

Outras relações em teia

Em SP esses centros de ensino de idiomas chamam-se CEL's (Centros de Estudos de Línguas). E em Brasília? Chamam-se CILs (Centros Interescolares de Línguas).
O projeto El País nas Escolas é inédito? Não. Ele já foi inclusive feito no DF, exatos moldes, sendo que em 20/fevereiro/2010 noticiaram pela Secretaria de Educação que o recente vencedor foi o CIL de Sobradinho. Desejamos aos dois alunos vitoriosos boa viagem à Espanha. Aos outros 18 participantes que ficarão, nuestros saludos.

Trata-se, pois, de projeto/concurso pedagógico veterano para vender singelos exemplares do periódico às Secretarias de Educação. Que o diga a Diretora de Relações Institucionais da Santillana/Moderna, Mônica Messemberg Jabour Costa (hoje Messemberg Guimarães), responsável pelos contatos entre governos e prefeituras: sem sombra de dúvidas, sabe tudo do projeto. Ela já foi Secretária Adjunta de Previdência Complementar de novembro de 1997 a março de 1998, no lugar de Carla Grasso (esposa de Paulo Renato, que por sua vez saiu para trabalhar com o empresário Benjamin Steinbruch, na Valepar; atualmente é Diretora-executiva na Vale do Rio Doce). Depois a Sra. Mônica foi Secretária-executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, quer dizer: braço direito de Paulo Renato enquanto ele esteve no poder em Brasília. Parece seguir no ritmo até hoje.

Em tempo¹: quer saber o que pensa o Sr. Paulo Renato Costa Souza sobre ensino de idiomas nas escolas públicas e quais seus enlevos quanto ao tema? Tenha paciência e assista mais esta película institucional cativante - é munição preciosa que não acaba mais.

Em tempo²: Se o El País está na Internet graciosamente, se as escolas possuem salas de informática montadas a preço de ouro com máquinas alugadas da CTIS (inclusive com laptops, de acordo com o edital do contrato), se há alunos monitorando as salas e tudo está em perfeita ordem..., por que fazer assinaturas do jornal? Será que os 92 CEL's não estão equipados? Eles não funcionam dentro das escolas estaduais?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O caso arquivado das parabólicas SEE-FDE - Coisa de gênios



O processo das parabólicas foi julgado.
O resultado saiu em 27/fevereiro/2010 - protocolo 142.475/09.
Acabou
arquivado.
É um imbróglio só esse causo das
antenas digitais e seus receptores.
À época, o Secretário da Educação era o Sr. Gabriel Benedito Isaac Chalita,
o Governador era Geraldo Alckmin, o Diretor de Tecnologia da FDE era Milton Dias Leme.
O Assessor de Imprensa do Sr. Chalita era o jornalista, Sr. Carlos Magagnini,
cargo que continuou ocupando até pouco depois da posse de Paulo Renato Costa Souza,
daí sumiu, hoje consta ao lado de Gilberto Kassab
e, aparentemente, também no Diretório do PMDB.
O assessor do Gabinete do Sr. Chalita era o Sr. Paulo Alexandre Barbosa,
hoje Deputado Estadual - PSDB.
Guarde os nomes até agora, outros menos citados publicamente virão.
A primeira providência é ler isto e isto caso não saiba nada do furdunço
e do sumiço de mais de R$ 13 milhões (não apenas R$4 milhões) da SEE-SP para formalizar
o
Canal do Saber - uma estação de TV com existência tão longa
quanto a de uma única formiga, mas não tão próspera.
Depois você volta e segura o
mouse, que aqui
tem longa história não dita (maldita) nos jornais.
Recorramos ao túnel do tempo.


MADE IN TAIWAN

Talvez você não se recorde o que fazia no dia 14 de agosto de 2002. Talvez você nem saiba que tal dia existiu. Mas graças ao Ministro de Estado da Justiça, Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, o Sr. Chang Chuan Sin, natural da China (Taiwan), nascido em 8 de outubro de 1967, filho de Chang Ming Sheng e de Chang Wang Yueh Chuan, residente no Estado de São Paulo, deve se recordar perfeitamente. Aquele foi o dia em que Chang Chuan Sin finalmente conseguiu sua naturalização brasileira (DOU 16/agosto/2002). Os tempos anteriores de pesadas burocracias haviam minorado, os trabalhos, investimentos e negócios fluíram. Entretanto, como ele passou a ser mais conhecido como Steve Chang não aparece em registros cibernéticos, ao menos em línguas ocidentais.

Para demonstrar o lado empreendedorista do Sr. Steve 'Chuan Sin' Chang, ele aparece como o responsável máximo pela Zinwell do Brasil, pertencente a Zinwell Corporation, de Taiwan. Registrada aqui como Zintech do Brasil Ltda, no site internacional não aparece o nosso caro Steve Chang em momento algum, assim como não aparecem representações oficiais ou escritórios no Brasil. A mesma situação no site nacional da empresa: ele não aparece, exceto como proprietário do mesmo - vide RegistroBr. Mas o homem passou seguramente por lá e, pelo jeito, acabou mal.

Sabe-se disto porque em 31/dezembro/2009, o Sr. Liu Yuan Cheng (ou Y.C Liu; Mister Liu, Diretor do Departamento de Controle de Qualidade (página 13 - Relatório Anual 2008), chegou em meados do mesmo ano, importado pela Zinwell de Taiwan, com visto de trabalho de 2 anos. Passou a ser o novo responsável no Brasil, no afã de limpar a casa empresarial.
Confirmando tal ato, envia a seguinte mensagem a quem interessar possa:



Que por sua vez é complementada por esta outra:



Ao final da missiva, o Sr. Liu Yuan Cheng transforma-se em Arthur Liu e informa:
Meu nome é Arthur Liu, diretor geral destas duas empresas [Ivision Com. Imp. Exp. Elet. LTDA/ TBC Com. Imp. Exp. Equip. Elet. LTDA] e de agora em diante eu irei me responsabilizar por todos os produtos ZINWELL no Brasil.
À sua disposição.

Att,
Arthur Liu (...)

http://www.ivision.net.br
É bom saber que não consta site da empresa TBC, em canto algum. Outro problema é que o site da Ivision do Brasil (localizado em Taiwan) recentemente desapareceu do mapa (pouco depois de já estar organizada esta etapa das buscas), restando-nos apenas uma parte do cache. Ao entrar na URL citada na assinatura da carta (durante o sumiço), o que aparecia era uma página inicial de um serviço de webmail. Entretanto, no RegistroBr, continuava o nome do Sr. Liu Yuan Cheng como proprietário, assim como os demais dados da empresa. Hoje o site está normal, com pequenas modificações; o proprietário permanece.

De todo modo, outras buscas nos levam a dados, no mínimo, bizarros. Sabe-se que a Ivision brasileira faz (fazia?) parte da Ivision Corporation porque tal dado ainda aparece tanto no cache quanto no atual (Copyright 2010 IVISION Corporation). Procurando pela tal Corporation, chega-se a um outro enrosco mutante federal, em que informações bem distintas aparecem quando vemos o seu cache e o site atual. Compare os dois atentamente nas imagens abaixo. No cache ainda é Ivision, tanto nas boas-vindas quanto no rodapé, além disso vê-se uma aba intitulada Sec Permit. No atual passa a chamar-se MyVision em todos os lugares, a aba Sec Permit some etc..

É justamente no Sec Permit que encontra-se cópia de documento "oficial" das Filipinas (em verde, clique e amplie) e ficamos sabendo o que pode e não pode negociar/fazer a tal Ivision Corporation.



O que espanta, sobremaneira, são os produtos oferecidos: pulseiras magnéticas, gotas e chás miraculosos, sabonete de placenta, medalhões mágicos e congêneres. O que teriam a ver tais coisas com antenas parabólicas e receptores? Se continuarmos as buscas o tormento persiste, já que aparece outra Ivision Corporation, cujo site está pendurado no Canadá e é de natureza bem diversa. Afinal, quem é quem? Hello Mister Liu, o troço está confuso demais. Assim não pode, assim não dá.

Daí você deve estar se perguntando:
Que diabos essas loucuras tem a ver com as antenas parabólicas
compradas e pagas adiantado, em excesso,
pela FDE e Secretaria de Educação de SP,
para agilizar o Canal do Saber, que não foram
entregues nas escolas e cujo processo foi arquivado?
Uai, as antenas e receptores eram da
Zinwell.
Mas a empresa que ganhou a licitação
das parabólicas não foi a Comercial Vida?
Foi.
Então o quê que o curió tem a ver com a gaiola?
Eu digo: tudo e mais um pouco, vai lendo.


MADE IN BRASÍLIA - NEGÓCIOS DA CHINA

A Zinwell do Sr. Steve Chang não começou negociando com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) ou Secretaria de Educação de SP, muito menos com a Comercial Vida (CNPJ - 04.474.878/0001-10), cujo proprietário é o Sr. Luciano Maiorano.

Na verdade, ela entrou pelas portas da TV Escola, criada pelo MEC em 1995, quando esta instituiu o
Programa de Apoio Tecnológico - PAT, que passou a ser conhecida como Kit Tecnológico. O PAT tem como objetivo dotar as escolas do ensino público fundamental com equipamentos (Kits) necessários à captação, gravação e utilização das programas transmitidos através do TV Escola. Esse Kit consiste em uma televisão, um videocassete, uma antena parabólica, um receptor de satélite e um conjunto de dez fitas VHS, que são adquiridas de forma descentralizada, ou seja, através da transferência de recursos federais a estados e municípios, no valor de R$ 1.500 por Kit. (...) Até 1999 o governo federal havia adquirido cerca de 56.140 Kits Tecnológicos e despendido R$ 83.229.356,00 com essas aquisições. (DOU 5/setembro/2001 - Relatório de Auditoria Operacional, de 3/agosto a 20/outubro/2000; págs. 151 e seguintes).
Lá pelas tantas, alguém teve a brilhante ideia de mudar o sistema para banda "C" - de analógico para digital -, ou seja, todas aquelas milhares de antenas/receptores analógicos que estavam nas escolas, bem como o canal de satélite de então, iriam para o brejo, seriam necessários outros equipamentos "mais modernos"e outro modelo de negócio. Daí, em 2002, por exemplo, a Zinwell entra na parada fornecendo os equipamentos digitais (Receptor Digital ZDX-7100) através do Pregão nº 19/2002, pelo Ministério da Educação (Paulo Renato Costa Souza)/Secretaria de Educação a Distância (Pedro Paulo Poppovic), para
Aquisição de 20.000 (vinte mil) antenas parabólicas, em 02 (dois) lotes, compreendendo o conjunto de bens de recepção de sinal digital para TV Escola,composto de 01 (um) receptor via satélite banda "C", padrão DVB, 01 (um) LNBF e 01 (um) refletor parabólico, devidamente instaladas, a serem fornecidas por empresas especializadas no fornecimento e instalação, de acordo com a relação de Municípios constantes no Anexo III na forma e condições estabelecidas no Termo de Referência - Anexo I - e demais anexos.
Estranhamente temos dois resultados com vencedores diferentes, que no final são os mesmos. O primeiro está no DOU 11/setembro/2002, apontando como ganhadora a Zintech do Brasil Ltda, sendo o Pregão 19/2002 dividido em dois lotes nos valores cotados de R$ 6.313.300,00 para o lote "A" e R$ 6.333.550,00 para o lote "B". Ao que a história indica, ganhou graças à juíza Daniele Maranhão Costa Calixto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (DF), que suspendeu uma liminar porque [a Zintech] não concordou com a classificação da Gradiente Audi e Vídeo Ltda na fase dos lances no pregão.

O segundo é no DOU 23/setembro/2002 - menos de um mês pós-naturalização do Sr. Steve Chang - onde temos a BGC LTDA, por R$ 12.646.850,00. A assinatura do Contrato nº 13/2002 foi em 16/setembro/2002. Não ocorrem explicações para isso no DOU. Alguém se habilita? Em qualquer dos casos, as antenas e receptores deveriam estar nas escolas em 120 dias, conforme o Edital que evaporou no espaço. Em outubro/2002 noticiam o início das transmissões e confirmam a Zintech como vencedora.
NOTA: Não ocorrem resultados ao buscar Zintech sob nenhuma forma no DOU, em tempo algum, mas como se vê acima a empresa consta no DOU. Mais alguém explica isso?

Dessa tal empresa BGC não se sabe quase nada. Salvo coincidências tenebrosas, era chegada num bingo e suas máquinas eletrônicas programadas; no mais perderam-se a maioria dos dados na internet, seja porque o uso da WEB naqueles tempos era "inicial" no país, seja por livre e espontânea pressão dos envolvidos. Mas sobraram algumas preciosidades que continuam unindo a BGC à Zinwell/Zintech do Brasil:
1- o endereço físico e o e-mail do financeiro da empresa ganhadora são os mesmos da empresa fornecedora (Rua Galileu, 132, subsolo; financeiro@zinwell.com.br), como mostra a imagem abaixo, retirada do Catálogo de Exportadores Brasileiros da Confederação Nacional da Indústria (CNI);
2- O CNPJ fornecido pela Zinwell/Zintech (02598940000150) ao RegistroBr por Steve Chang para registrar o site é da BGC - conforme a Receita Federal (embora haja outros nomes no endereço físico citado na Receita):




Portanto, uma pequena e desconhecida empresa ganhou imenso pregão, tendo por trás - escondida - outra que fabrica/importa os equipamentos, à semelhança do que aconteceu em SP, tempos depois. Mas as coincidências não param por aí. Assim como em SP, em Brasília as coisas também não deram certo, como comprovam os dados que seguem. O primeiro é um simples exemplo de reclamação por parte das escolas, retirado do blog TV Escola em Sta. Catarina:



O segundo é o Manual de Instalação e Sintonia da TV Escola Digital, onde se vê que a obrigação, já paga pelo MEC, sai das mãos da BGC e passa individualmente a cada escola, tal como era nos tempos da TV Escola analógica:

O terceiro é um documento oficial de abril/2005, da Secretaria Federal de Controle Interno (SFC), que declara como missão zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos: o Relatório 160077 de Tomada de Contas de 2004 (Processo Nº 23000.003019/2005-26) auditando a Secretaria de Educação a Distância (que gerou o processo administrativo 23000.001217/2002-11 do Pregão 19/2002, atualizado posteriormente; ver também processo nº 23.34.00.033575-5). Entre vários problemas herdados da administração anterior a SFC inclui:
(...) Item 10.1.3.3 – Contrato nº 13/2002, firmado com a empresa BGC Ltda., para a instalação de 20.000 antenas parabólicas”. Constatação da SFC: foram identificadas irregularidades na execução do contrato, a saber: pagamento sem a devida liquidação; fragilidades no planejamento e no acompanhamento para execução do contrato; pagamento em desacordo com o contrato; e não cumprimento do Edital. O processo foi encaminhado à Procuradoria-Geral da União. Atualmente, o processo encontra-se no Tribunal Regional Federal do Distrito Federal, aguardando decisão. Portanto, o assunto deverá ser objeto de avaliação na próxima auditoria. (...)
Quer dizer: a desgraça veio do passado, proliferou, se arrastou por anos e mãos da justiça. Prejudicou escolas, alunos, tratou dinheiro público como lixo. Mas não se iluda, temos além do final do processo administrativo citado acima, outro resultado da tragédia em 2009, e mais uma singular coincidência paulista:
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
5ª Câmara de Coordenação e Revisão - Patrimônio Público e Social
Ata da 515ª Reunião
Aos 16 dias do mês de novembro de 2009, (...)
(50) - Procedimento: 1.16.000.002623/2006-03
Interessado: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL - MPF e outros
Assunto: Supostas irregularidades no cadastro de empresa executora de contrato firmado com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE. Fornecimento de kits digitais de recepção do Programa TV Escola.
Empresa BCG Ltda [nome grafado errado pelo MPF].
Relator(a): Antônio Carlos Fonseca da Silva
Decisão: A Câmara, à unanimidade, decidiu pela homologação do arquivamento.
Em meio as portarias para averiguações do contrato, sindicâncias e afins, a competente Zinwell do Brasil ainda conseguiu outro negócio, já no Governo Lula, em 2004. O então Secretário de Educação a Distância, Marcos Dantas, em seu relato de prestação de contas para transferência de cargo após um ano na SEED, diz nas páginas 6 e 7 como encontrou a Secretaria, a situação da TV Escola e as medidas tomadas para sanar o caos. Infelizmente não explica o motivo de ter comprado novamente da Zinwell, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) - contrato 77/2004, Pregão 36/2004, conforme o DOU 6/janeiro/2005:
Nº Processo: 23034039234200421.
CNPJ Contratado: 03852205000193.
Contratado: ZINWELL DO BRASIL LTDA.
Objeto: Aquisição e instalação de 3.500 conjuntos de bens de recepção de sinal digital para o programa TV Escola (Kits Digitais), composto por 01 (um) receptor digital via satélite banda C, padrão DVB, 01 (um) LNBF e 01 (um) receptor parabólico.
Fundamento Legal: Lei 8.666/93.
Vigência: 29/12/2004 a 01/07/2005.
Valor Total: R$ 2.397.500,00.
Fonte: 113150072 - 2004NE900748 Fonte: 100000000 - 2004NE900745.
Data de Assinatura: 29/12/2004.
(SICON - 05/01/2005) 153173-15253-2004NE900577
Tampouco explica o fato no Balanço Geral da União-2004 págs. 13 e 14. Tal negociação também mereceu processo nº 2007.34.00.024633-5. Imagine o resultado da coisa, sem grandes esforços. Não sabemos como isto funciona, mas o CNPJ apresentado pela Zinwell nesse contrato está registrado em nome de Suncorp Serviços e Comércio de Equipamentos Eletrônicos Ltda - que parece fazer parte de alguma forma intestina à contratada.


DE BRASÍLIA PARA SÃO PAULO - SEM ESCALAS

Muito elevados eram os planos e interesses da Secretaria de Educação de SP, nos idos de 2005. Dentre eles, o Secretário Gabriel Chalita queria um canal de TV que seria quase uma cópia escarrada da TV Escola, que teria quase as mesmas atribuições, que teria quase a mesma programação, que atingiria quase o mesmo público... Só que melhor do que a TV Escola, claro. Toda aquela dinheirama, sem contar os tropeços, que o Governo Federal do PSDB havia investido em SP durante anos anteriores iriam em breve, definitivamente, precipício abaixo.

Havia naqueles tempos um memorável projeto educacional, como são todos da SEE-SP. Chamava-se Teia do Saber, que por sua vez abarcava outro, a Rede do Saber. Para complementar e formar um triunvirato poderoso criou-se o Canal do Saber. Para este último entrariam em cena novas antenas/receptores e satélite dedicados ao que ficou conhecido no meio educacional paulista como TV-Chalita - de cara um projeto vencedor do Prêmio Mario Covas, sem sequer ter florescido. Oficialmente o Canal foi lançado em 27/março/2006, durante o Congresso Internacional de Educação (dois dias de duração, no Anhembi-SP), com presenças ilustres do universo pedagógico da SEE-SP e governamental - aliás foi a última aparição pública do Sr. Alckmin como Governador, dois dias depois ele se lançaria candidato à Presidência da República.
Com o slogan Canal do Saber – Mundo do Conhecimento, o veículo tem como objetivo propiciar comunicação direta entre os órgãos da secretaria e as 5.306 escolas da rede, promovendo interatividade entre aluno e comunidade escolar, além de dinamismo nas informações e debates sobre os grandes temas educacionais no Brasil e no mundo. (...) Para isso, o canal passa a integrar a rede tecnológica de ponta que possibilita a realização de teleconferências, videoconferências, aulas semipresenciais, Intranet, Internet e vídeoeducativos. (Fonte: DO)

Mas não apenas novos equipamentos eram necessários: também outro sistema de transmissão de sinal de TV via satélite. Agora os iluminados da Secretaria da Educação de SP queriam um sistema em banda Ku (nome apropriado) - a mesma utilizada pela Sky e DirecTv, ou seja: um outro satélite que não o B1 da TV Escola (atualmente no StarOne C2). Essa foi a opção, em vez de complementar o programa Federal que ficou no meio do caminho depois da complicada migração do analógico para a banda C. Sabe-se que para as escolas estaduais de São Paulo estariam previstas umas 2.500 antenas/receptores digitais do MEC comprados da BGC/Zintech/Zinwell do Brasil (em um total de mais de 7 mil kits do Estado, contando escolas estaduais e municipais - ver Relatório TV Escola 1996-2002).

Para resolver esses pequeninos detalhes técnicos aparece a figura imponente do Diretor Técnico da FDE, Sr. Milton Dias Leme, a quem conhecemos em seus tempos da extinta ZipNet. Com um exemplar currículo de vendas de software, passou pela Ka Solution, especializada em Microsoft (pertencente a Kalunga, atual grande empresa fornecedora da FDE e outros órgãos), e outros lugares do mundo. Até que nos reencontramos em uma dessas feiras educativas; ele atuava demonstrando produtos de outra gigantesca parceira da Educação: a COC Sistema de Ensino - a mesma que fez o famoso software educacional Cadeias Alimentares, hoje desaparecido da WEB, mas constante sob nome de outra empresa igualmente interessante para futuros textos, a J2M2 Tecnologia e Marketing Ltda, do Sr. Josmar S. Arrais de Matos, reitor da UNISA; comprado pela FDE/Milton Leme por R$1.125.000,00 - vide em 1 , 2 , 3 , 4 , 5. Foi quando gentilmente ofertou-nos seu novo cartão.



Atualmente Milton Dias Leme, especialista em negócios corporativos, mantém sua empresa MDL Marketing Ltda (não são as iniciais do seu nome, mas Multimídia Digital Learning Informática), que negociou criação e produção de CD ROM a R$ 71.250,00 com a FDE, em 2003. No mesmo endereço da MDL (Rua Karl Richter 58) funciona o escritório de representação da Háblame.Tv (Háblame Centro Europeu de Idiomas Ltda), para franquias nos EUA e América Latina, cuja empresa de cursos de espanhol da Espanha, especialmente através da Internet, tem como clientes brasileiros a própria MDL e a COC, e na qual o Sr. Milton Leme aparece como Presidente no Brasil. Mas ele também está na UNISA, e através dela tornou-se Diretor da Academia Global, da Portugal Telecom - empresa subsidiária com sede em SP - para desenvolvimento e comercialização de produtos e serviços de base tecnológica nas áreas de educação e formação profissional.

Pois este senhor empreendedor entrou para os quadros da FDE em 16/maio/2005 onde permaneceu por exatos 365 dias, como Diretor de TI. Depois de muito badanal interno, lançou em outubro do mesmo ano o pregão presencial 14/0834/05/05 (leia o Edital aqui), para fornecimento de antenas e receptores digitais, e prestação de serviços de site survey e transmissão via satélite de sinal digital em Banda KU, para as 5.500 escolas da rede pública de ensino, dividido em 3 lotes:
1- Segmento espacial: dois canais de TV com áudio estéreo em banda Ku a 3 MBPS cada, 24 horas por dia, 7 dias por semana, sendo 1 canal apenas para transmitir a TV Escola e outro ("full") só para o Programa Escola da Família (Canal do Saber).
2- Site survey: 5.500 (considerado "serviços") - Nada mais do que uma pesquisa nas escolas para saber quem tinha e quem não tinha antenas analógicas e, sobretudo, as digitais, enviadas pelo MEC. Para tanto a empresa ganhadora enviaria gente às unidades escolares para analisar todos os equipamentos lá instalados e onde estavam; fariam e entregariam um relatório maravilhoso com no mínimo três fotos de cada uma das 5.500 escolas listadas no Edital, entregariam o produto em CD's. Somente com isto pronto os novos equipamentos começariam a ser entregues.
3- Infraestrutura e equipamentos: 5.500 (considerado "serviços") - Para os idealizadores do Edital, equipamentos são serviços, talvez por esta razão não haja especificação dos aparelhos que seriam entregues, ou seja: poderia ser qualquer antena/receptor digital existente no mercado. Apenas diziam que a empresa vencedora deveria realizar a instalação, implementação e adaptação das antenas em todas as unidades conforme cronograma proposto no edital, bem como FORNECER (sic) e instalar antenas para banda KU e receptores digitais prontos para uso e devidamente homologados pelo órgão competente. Também deveria: dispor de 0800 para abertura de chamados técnicos pelas unidades com disponibilidade 24 x 7; possuir estrutura de treinamento para melhor capacitação do ponto remoto; possuir capacidade de manutenção em no máximo 48 horas úteis para reposição e funcionalidade do sistema em qualquer ponto de recepção.
A homologação do lote 3 de serviços/equipamentos saiu para a sortuda Comercial Vida Ltda, em 9/dezembro/2005, tendo sido assinado em 5/janeiro (DO 7/janeiro). A empresa teria então 8 meses (até 3/julho/2006) para deixar as milhares de escolas nos trinques, pelo valor de R$4.950.000,00. Longânime que só ele, em 27/abril, Milton Leme assina um aditamento de R$1.237.500,00 para novas 1.375 antenas e receptores. Ignora-se completamente quantos equipamentos do MEC estavam nas escolas paulistas, mas sabe-se que o Sr. Diretor de Tecnologia da Informação da FDE comprou 6.875 equipamentos em duas tacadas certeiras, sendo que a SEE-SP mantinha 5.500 escolas.

O que não se pode esquecer de maneira alguma é a cláusula número 5.1.16 do Edital, que diz: Não transferir a outrem, no todo ou em parte, o objeto do presente Contrato. Diante disto fica ainda mais complicado entender o motivo da entrada da Zinwell do Brasil na parada - lembre-se que no Edital não há especificação tanto do aparelho receptor quanto da antena. Como foi que a Comercial Vida bateu às portas da Zinwell (ou vice-versa) é outro mistério gozoso infinito. O fato é que assim aconteceu, foi feito um contrato particular entre elas, e a Comercial Vida deu com os burros n'água. A Zinwell, ao contrário, saiu-se bem na foto pois que tinha ao seu lado o famoso Marcos César Seignemartin, assessor político, ex-funcionário público da CPTM, atual twitteiro ativíssimo de sutil linguajar, como gestor técnico do contrato - a quem conhecemos em Brasília à época da TV Escola, realizando praticamente as mesmas tarefas com extrema seriedade, zelo e empenho.

Impossível dizer, contudo, que a danação em que hoje se encontra foi por falta de experiência da empresa ganhadora do famigerado certame. Antes da compra monstruosa, a Comercial Vida já havia sido contratada pela FDE/SEE-SP em dois momentos: 1- Pregão 36/0507/04/05 para aquisição e instalação de 50 antenas parabólicas digitais em diversas escolas da Rede Estadual de Ensino, no valor de R$39.000,00 (DO 10/agosto/2004), e 2- Pregão 36/0323/05/05, para aquisição e instalação de 70 antenas e receptores digitais em diversas escolas da Rede Estadual de Ensino -, no valor de R$66.500,00 (DO 14/junho/2005). Então ela já sabia o que fazer, certo? Os equipamentos, por sinal, também foram da Zinwell. No mercado planetário universal a Comercial Vida gabava-se da agilidade na entrega dos produtos (de lâminas de espuma a herbicida e relógios de parede: um vale-tudo) e da rápida conquista de novos clientes, conforme matéria da Secretaria da Fazenda. Depois do affair com a Zinwell, entre várias desgraças jurídicas e ter de pagar multa de R$618.750,00 à FDE, ela está proibida de licitar aqui e acolá, por anos.


SE A MINHA TV FALASSE

Em 12/janeiro/2006 sai o vencedor para os lotes 1 e 2: a Embratel. Por R$2.595.000,00, em 820 dias teria que colocar a TV Chalita no ar, não sem antes ir a cada uma das escolas realizar o tal questionário, fotografar e entregar os resultados. Há vários pontos enigmáticos nesse contrato Embratel, que também deu maior rolo no Tribunal de Contas em relação a valores e outras mumunhas (processo TC-8163/026/06). Outro dos enigmas é a razão de chamar a Embratel para analisar a situação técnica das antenas nas escolas. Ela pode entender de muitas coisas, mas disso entende nadica. É o mesmo que contratar, às pressas, um padeiro para fazer complexas cirurgias neurológicas. Além disso foram alugados dois canais de satélite. Baseando-nos no valor do contrato, supomos que os satélites saíram por R$96.111,00/mês. Quanto custou a pesquisa, então? Qual percentual do valor mensal destinava-se à pesquisa? Quais foram os resultados apurados com ela? Onde estão? Para qual propósito servia a pesquisa se as escolas receberiam, de qualquer modo, equipamentos novos? Quem, de fato, fez a tal pesquisa em tanta escola? Foram mesmo visitadas as 5.500 escolas listadas no Edital?

De igual modo mais umas tantas perguntas são bem-vindas: se a TV Escola já usava um canal de satélite e era vista em todo território nacional, então por que São Paulo precisava de outro canal de satélite para repetir o sinal da TV Escola só para SP? Daí as escolas teriam duas antenas para captar o sinal, uma do MEC, outra da SEE-SP para ver a mesma coisa? Por que diabos SP compraria mais 5.500 equipamentos digitais completos, se o MEC já os havia mandado para cerca de metade das escolas e o receptor captava tanto banda C quanto Ku? Se, ao enviarem pesquisadores nas escolas para saber a situação dos equipamentos, ficasse constatado que já existia equipamento digital nas suas dependências, elas receberiam um outro aparelho, ficando com dois? Ou não o receberiam? A empresa economizaria aparelhos ou parte deles na entrega? Isto é, se São Paulo quisesse, portanto, complementar o equipamento das escolas ou mesmo migrar para outra banda, não precisaria comprar mais do que 3 mil conjuntos de antena e receptor, certo? Entenda-se bem que é a antena que capta o sinal Ku ou a banda C, o receptor capta qualquer um deles. Também não esqueça que a FDE havia comprado da mesma empresa aqueles 120 equipamentos iniciais para diversas escolas da Rede (só depois comprou mais 5.500), na sequência aditou outros 1.375, sem retirar os nomes daquelas 120 escolas iniciais da lista entregue no Edital, totalizando 6.995 - sem contar os 2.500 do MEC, o que dariam 9.495 conjuntos de antenas e receptores digitais. NOTA: na matéria do lançamento da TV Chalita (DO 19/abril/2006), eram 5.306 as escolas existentes. Dá para entender um estropício desses?

Pois não é que o autor de Os Dez Mandamentos da Ética mandou bala, pagou sem constrangimentos, aditou, fez baita furdunço apoiado pelo seu distinto Diretor de Tecnologia? Será que eles (e outros) ignoraram isso tudo e mais um tanto? Então vamos lá de novo: onde foi parar esse mundaréu de equipamentos? Será que ainda são vistos em alguma escola, estariam em uso hoje as alegadas 2.267 antenas e os 805 receptores entregues? Ou fazemos as contas sobre os efetivamente 6.875 equipamentos contratados, dando por entregues 3.642 antenas e 2.180 receptores? Que baderna generalizada.

Respiremos fundo, continuemos; o buraco é medonho.
Enquanto rolava o caos das antenas, em alguma outra parte da mesma FDE lutavam com a organização, programação e transmissão da TV Canal do Saber. Alguém tinha que produzir aquilo tudo sonhado - e pago.

O fato é que no lançamento triunfal (27/março) não havia antena/receptor nas escolas, mas haveria programação na TV Chalita? Quem teria tomando conta desse detalhe? Afinal, quem quer uma estação privé de televisão deve ter o que mostrar. Se a coisa foi inaugurada, devem ter apresentado algo. Se apresentaram, quem produziu as 15 horas diárias de programação e as 9 horas especializadas aos finais de semana? Oras, a nossa TV Cultura, é claro.

Mas, então, só tem (mais) um problema. Repare muito bem nos seguintes documentos públicos relativos ao contrato com a TV Cultura, olhão nas datas:
DO - 8/junho/2006
Despacho do Diretor Técnico, de 7-6-2006
Declarando dispensável a licitação de acordo com o Artigo 24 inciso VIII, da Lei nº8666/93 e suas atualizações, o processo nº 14/0525/06/04, por se tratar de prestação de serviços técnicos especializados para viabilização técnica operacional de produção e transmissão do Canal de Televisão - Canal do Saber - TV digital destinada a retransmissão de projetos, programas e ações da Secretaria da Educação e das unidades escolares. A ser executado pela “Fundação Padre Anchieta - Centro Paulista de Radio e TV Educativas” órgão que integra a Administração Pública, cujo preço é compatível com o praticado no mercado. Ato Ratificado pelo Diretor Executivo nos Termos do Artigo 26 da referida Lei.

DO - 5/julho/2006
Extrato de Contrato
- Contrato: 14/0525/06/04
- Empresa: Fund. Padre Anchieta - Centro Paulista de Rádio TV
- Objeto: Viabilização técnica, operacional de produção e transmissão do Canal de Televisão - Canal do Saber
- Prazo: 300 dias
- Valor: R$ 4.652.176,00
- Data de Assinatura: 08/06/2006.
Ora, quer dizer que a Fundação Padre Anchieta trabalhou de graça todo o tempo antes da assinatura do contrato? Ou alguém o fez? Como se pode lançar uma TV, criar programação e só contratar "pra valer" meses depois? Ou, ainda, usaram algum contrato anterior entre FDE e Fundação Padre Anchieta para encaixar os serviços do Canal do Saber? Eram vários programas da SEE na Cultura, o Sr. Chalita sempre gostou de auditórios, assim como o ex-coordenador de imprensa Carlos Magagnini. Ou a programação contava inicialmente apenas com os materiais produzidos pelo projeto Rede do Saber, mantido pela Fundação Vanzolini? Note que o Sr. Milton Leme havia saído da FDE em 16/maio/2006, então o contrato acima foi assinado por outro Diretor.

A desgraça é você se deparar com uma pequena nota no Observatório da Imprensa, reproduzindo a Folha de SP de 19/julho/2007:
CORTE
A TV Cultura dispensou anteontem cerca de 40 funcionários. Eles atuavam no Canal do Saber (canal via satélite dirigido a professores, que a Cultura produz para a Secretaria de Estado da Educação) e no programa ‘Quem Sabe, Sabe’, também financiado pelo Estado. A emissora diz que teve que fazer o corte porque o contrato com a secretaria está sendo renegociado desde abril e, desde então, não vem tendo receitas com os dois produtos.
Oras, anteontem significa o dia 17 de julho de 2007, uma terça-feira; o anúncio da dispensa de licitação da Cultura é do dia 7/junho, a assinatura do extrato do contrato é de 8/junho (só as datas de publicação são diversas). O Canal do Saber foi cancelado em novembro de 2006, como veremos adiante. Portanto, a Cultura continuou recebendo por uma programação extinta ou recebeu pelo que fez antes graciosamente, já que o contrato valia por 300 dias? Durma com um barulho desses.

Naqueles tempos havia um site onde constava a grade de programação. Obviamente, com o desaparecimento da TV Canal do Saber o resto também foi para o saco. Mas a internet é mãe e não madrasta, em muitos casos. Eis que podemos ver a grade de alguns dias aqui - ou apenas um exemplo abaixo (clique na imagem para ampliar):



Para ver o que sobrou do que passava no Canal do Saber, existe o site de um projeto da Fundación Telefonica, tocado também pela Fundação Vanzolini, o EducaRede; nele ainda há três programas da série Interativo Educarede: Internet na Escola. Divirta-se.


THE END COM CHAVES DOIRADAS

- De nada adiantou a Folha de SP ter aceitado a incumbência de incendiar o Sr. Alckmin por meio da gestão do Sr. Chalita nas eleições de 2008, mostrando a todos a menor parte desta história. Foi fogo de palha logo esquecido. Gabriel Chalita levou 102.048 votos, eleito vereador pelo PSDB; logo será candidato novamente. Agora continua por aí dizendo que o Sr. José Serra não gosta dos professores/educação e a pregar a eterna pedagogia do amor, não a da qualidade curricular, mas sem perder a ternura, jamais. O Sr. Alckmin está no Governo do Sr. Serra, inaugurando de tudo um pouco, pelejando voltar ao poder no Estado em breve. A memória é algo de ínfima grandeza.

- Logo após a inauguração da TV Chalita, este abandonou o circo em chamas para ser candidato. Com a entrada de sua sucessora, a Sra. Maria Lúcia Vasconcelos, o Canal do Saber evanesceu-se por completo, como se jamais houvesse existido, em novembro de 2006, pouco depois do segundo turno das eleições. O Sr. Cláudio Lembo estava Governador de SP.

- A FDE abriu o processo administrativo 14/0122/07 contra a Comercial Vida Ltda, publicado no DO apenas em 29/agosto/2008 - antes o frege de ter-se armando discretamente? A matéria da Folha saiu em 6/setembro/2008 (para assinantes; aqui para não assinantes). Como a Folha entrou nessa? Por quê? Quantos outros fogos desse tipo veremos ainda?

- O contrato com a Embratel (satélites e site survey) ganhou um termo de rescisão amigável assinado em 28/dezembro/2007, por João Thiago de Oliveira Poço, até hoje Diretor de Tecnologia da Informação da FDE, pelo valor de R$308.627,08. Foi tudo julgado regular pelo Tribunal de Contas, publicado no DO-Legislativo de 5/agosto/2008.

- Em 11/setembro/2008 o Deputado Roberto Felício (PT) lançou em Assembleia o Requerimento de Informação Nº 271, para tentar esclarecer toda essa barafunda. Foi endereçado à então Secretária Maria Helena Guimarães Castro, recém-chegada da Secretaria de Educação do Arruda, no DF, e antecessora do Sr. Paulo Renato Costa Souza. Infelizmente não localizamos as respostas - se é que existem. Em compensação, aqui pode-se ler as não-respostas que o Sr. Chalita forneceu sobre o assunto ao mesmo jornal que denunciou o rombo.

- A Zinwell está firme e forte, pronta para qualquer negócio. Passar bem, saudações.

Última questão básica: que miséria fez dar tudo errado? Boa pergunta. Se os envolvidos até o talo não explicaram, imagine se nós podemos. Foram para o beleléu, por alto, R$ 13.434.676,00.
Só podia, mesmo, ser um caso encerrado.
Coisa de gênios.

PS- Este texto poderá ser editado conforme novas informações apareçam.