quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Da água que ENEM bebe SARESP bebe também

Tudo indica, embora a lei da mordaça tenha imperado no universo público acadêmico, que o SARESP 2010 teve tantos tropeços quanto o do ano passado - ou talvez mais.

Está certo que, aparentemente, pelo menos as provas ficaram prontas em tempo e ele não foi adiado como o anterior, que não houve mutirão de amigos na gráfica, que a logística de entrega foi mais apessoada etc.. Mesmo assim, a barra pesou.

O Secretário de Educação de São Paulo, Sr. Paulo Renato Costa Souza, que ama espinafrar com o inclusivo ENEM dos moldes atuais, disse que os probleminhas da décima terceira edição do SARESP foram por conta da complexidade do exame, pois que são 26 cadernos de provas diferentes. O Enem tem só quatro.

Ele também disse, acerca dos gabaritos errados, que a falha "já estava prevista", e também "a solução, o antídoto", que seria: o coordenador entrar no site do exame, imprimir o gabarito correto e sanar o problema. Em várias cidades do Estado houve troca da folha de resposta. Isso ocorreu, e nenhum aluno foi prejudicado por causa desse problema, porque já havia uma solução prevista - que fique bem claro.
Certo, nós acreditamos.

Então vamos ao fabuloso Momento Breve Rescaldo do SARESP 2010

- Sob responsabilidade da VUNESP, o exame teve o seguinte contrato e valor:
DO- 9/setembro/2010
Extratos de Contrato
Processo: 90/0400/2010.
Contrato 02/2010.
Contratante: Secretaria de Estado da Educação.
Contratada: Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Vunesp.
Objeto: Prestação de serviços técnicos especializados na área de avaliação para execução do SARESP 2010.
Prazo de vigência: 12 meses contados a partir da assinatura.
Data de Assinatura: 30-8-2010
Valor do Contrato: R$ 33.487.096,67.
- Realizado nos dias 17 e 18 de novembro, no site oficial do SARESP não informaram quando seriam as provas - a não ser que você, sem pressa, se dispusesse a enfrentar outros links internos, entrasse em "Documentos Legais" e em seguida, sem pestanejar, acertasse na Resolução do Saresp 2010 SE 54.

- Eis as disciplinas das provas e as turmas deste ano:



- A imprensa amiga não deu um pio sobre quaisquer problemas no primeiro dia das provas. Foi como se tudo estivesse um esplendor de ordem. Mas no Twitter o bicho estava pegando, bombava a tag #Saresp (e outras menos cotadas mas igualmente inspiradoras: #EnemFeelings, #aprendinosaresp). Mesmo numa busca simples sem #, não era possível vencer a velocidade de postagens; estava uma loucura.

Palavras carinhosas a respeito do exame, que começavam com M, passavam por E, depois R, depois D e acabavam com A eram as mais empregadas para descrever a alegria profunda de ter de participar de tão importante avaliação que não serve de nada aos matriculados das unidades escolares, não os ajuda a entrar em faculdades, por exemplo - nem obrigatório é. Outros vernáculos, adjetivos ainda mais belos também eram encontrados amiúde. O pessoal jovem é bastante carinhoso.

- Já no segundo dia, hoje, a casa caiu oficialmente. Fez-se o vudu de ardor infernal. Graças à colunista do Estadão, Sra. Sonia Racy, fomos informados, à hora do almoço, de que algum olho de secar pimenteira finalmente havia pousado sobre o coitadinho do SARESP. Trouxe-nos à luz as notas que poderão ser lidas ao clicar sobre a imagem ou se preferir em 1 e 2 :



- Enquanto a dona Racy começava a repercutir no Twitter, o pessoal das escolas - sobretudo os alunos - já descreviam as misérias Sarespianas do dia, há muito tempo, desde o dia anterior. Mais uma vez ficamos atarantados tentando acompanhar o frenesi generalizado, tal como comportam-se as galináceas durante um terremoto de destruidora escala.

Na impossibilidade de copiar um a um, recorremos à antiga forma de sorteio, exatamente como muitos dos alunos confessaram ter feito ao responder as questões de Matemática do primeiro dia de prova: na base do mamãe mandou bater nesse daqui. Desta feita, originaram-se as duas imagens que seguem. Nelas há opiniões sinceras, os erros cometidos (cabeçalhos trocados, falta de provas para todos os alunos, falhas de impressão etc.), a profundidade de algumas das questões, a liberdade confessa na hora da prova (gente tuitando na boa, gente manguaçada na Catuaba), a riqueza de tema das redações, os boicotes animados dos estudantes da ETESP e ETECs, os recados à grande imprensa e ao Paulo Renato e outras pérolas mais.
Ao final, uma das mais intrigantes proposições: Poderíamos fazer a campanha: "Juíza Karla, cancele o Saresp". Boa ideia.

Naturalmente as mensagens poderão ser lidas à perfeição, caso você se dedique a clicar nas figuras: elas se ampliarão em toda sua glória. Será que a tua frase foi sorteada? Qual a tua preferida?




- Não esqueça jamais: o Sr. Paulo Renato garantiu que nenhum aluno ou escola foi ou será prejudicado porque as falhas estavam previstas e tinham antídotos, tudo correu bem, tudo foi absolutamente normal - como sempre.

- Caso queira ler algo do que saiu na amena big press, eis os links:
* Provas do Saresp têm problemas em gabarito - G1
* Saresp apresentou problemas em gabaritos em Assis (SP) - UOL
* Avaliação paulista também tem problemas com gabaritos - IG
* Estudantes se recusam a fazer prova do Saresp em Araraquara - EPTV Globo (Ver vídeo)
* Escolas de SP registram problemas com gabarito das provas do Saresp - Folha
* Alunos de escola top de São Paulo protestam e boicotam prova do Saresp - Folha
* Estudantes protestam contra aplicação do Saresp nas escolas técnicas de SP - Folha
* Provas do Saresp apresentam problemas em cartões-resposta - Estadão
* Falha na inserção dos gabaritos 'já estava prevista', afirma Paulo Renato - Estadão


***Você nunca ouviu falar do
SARESP?
Então vamos ao bê-a-bá.
O SARESP é o
Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo,
como o nome diz, vale somente para o estado de SP.
Na verdade, é uma avaliação de quantas anda a fina educação
do PSDB estadual, tendo começado em 1996.
É aplicado nas escolas públicas, mas também nas municipais e nas particulares que aderirem.
Este ano foi a décima terceira avaliação.
Os resultados valem para dar um
abono tapa buraco pra Inglês ver
(em vez de aumento real e digno de salário) aos professores
e funcionários cujas escolas tiverem maior pontuação.

sábado, 13 de novembro de 2010

Gabriel Chalita - uma Representação

Este blog acredita que o texto abaixo é leitura de extrema importância nos tempos atuais. Por favor, leia e reflita.

Iremos linkar, em breve, cada um dos dados apresentados, assim como faremos as devidas ilustrações, ao final do texto. Portanto, retornem para averiguações. Gostaríamos de saber qual foi a resolução para o caso: quem souber, agradecemos o envio.


EXCELENTÍSSIMA PROCURADORA CHEFE DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL EM SÃO PAULO, DRª ADRIANA ZAWADA MELO

ROBERTO FELÍCIO, deputado estadual, líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, vem a V. Exª oferecer


REPRESENTAÇÃO


com vistas a que se proceda à apuração de crimes contra a ordem tributária e de lavagem de dinheiro, em tese praticados por GABRIEL BENEDITO ISSAAC CHALITA ao tempo em que ocupou os cargos de Secretário da Educação e Secretário da Juventude no Estado de São Paulo, no período de 2001 a 2005, com base nos seguintes fatos que passa a expor.

FATOS

O jornal Estado de São Paulo trouxe, na sua edição de 12 de setembro de 2008 (Doc. 1), a reportagem abaixo reproduzida, de autoria do jornalista Eduardo Reina (*1):
“Chalita omite em declaração de bens editora de R$ 10 mi
Eduardo Reina

Candidato a vereador, ex-secretário nega irregularidade e diz que empreendimento não rendeu ‘nenhum tostão’

Candidato a vereador pelo PSDB, o ex-secretário de Educação Gabriel Chalita não informou à Receita Federal nem apontou nas declarações públicas de bens - obrigatórias para quem ocupa cargo na administração pública - que foi dono da Raiz Editora Ltda. Enquanto passou pelas Secretarias da Juventude e da Educação, entre 2001 e 2006, Chalita teve de apresentar oito declarações de bens. Em nenhuma delas citou a Raiz.

A empresa, com sede na Avenida Paulista, foi aberta em 23 maio de 1994 e tinha capital social de R$ 10 milhões. Em 1999, foi considerada inapta pela Receita, por não ter sido localizada pelos fiscais, mas só foi fechada em 13 de julho de 2004. Chalita tinha 50% do capital da empresa (R$ 5 milhões) e seu sócio, o argentino Adolfo Ernesto Schumucker, a outra metade.

De acordo com a Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, a omissão ou falsa declaração de bens e patrimônio caracteriza crime contra a ordem tributária. A pena para esse tipo de crime varia de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa.
“Isso é uma bobagem tão grande”, reagiu Chalita. “Não sei como vocês (imprensa) perdem tempo com isso. Não consigo entender. Isso é o de irregular que tenho na minha vida. Advogados me disseram que não precisava declarar porque não recebi nenhum tostão com a editora.” Ele contou que conheceu o sócio Schumucker em 1994 e juntos idealizaram uma grande editora, que foi criada no papel, mas nunca teria funcionado. “Eu nem me lembrava dessa empresa. Nunca gerou um tostão e encerramos a editora depois de muito tempo”, explicou.

No entanto, em 1994, a Raiz lançou Mulheres que Mudaram o Mundo, um dos livros escritos por Chalita. “Esse livro tinha saído como custo ou ganho. Não me lembro como foi feito”, afirmou o ex-secretário. “Não tenho nada a esconder. Qualquer juiz com o mínimo de bom senso verá que nunca entrou dinheiro na editora, por isso não teria o que declarar. Foi o que explicaram meus advogados e meu contador.”

Segundo o tributarista Raul Haidar, mesmo que a empresa não tenha gerado lucro, a legislação prevê que seja feita a declaração ao Imposto de Renda. “Se você omite alguma informação, como vai ser apurada a evolução patrimonial?”, argumentou.”
Em razão da reportagem, esta Liderança determinou à assessoria técnica que promovesse ampla investigação a respeito. Restou apurado que o Representado é sócio da empresa RAIS EDITORES LTDA. (*2), como comprova ficha de breve relato emitida em 14 de julho de 2008 (Doc. 2), a qual apresenta as seguintes informações:
“Data da constituição: 19/05/1994
Início das atividades: 03/05/1996
CNPJ – não consta –
Inscrição estadual - não consta
Capital: R$ 10 milhões
Endereço: Av. Paulista, , 726, loja 206 – São Paulo – SP
Objeto: Edição de livros e manuais”
Os sócios da empresa são os abaixo elencados. Note-se que há divergência na grafia do nome do Representado, a despeito de os números de inscrição no RG e no CPF e demais dados corresponderem ao próprio. Na ficha de breve relato consta como segundo Alnedito, quando o correto é Benedito.
“Sócios:
Gabriel Alnedito Issaac Chalita – CPF 126.457.628-59, RG/ RNE 13.718.212, residente à rua Rodésia, 161, Vila Madalena, em São Paulo (SP), com participação na sociedade de R$ 5 milhões.

Adolfo Ernesto Schmucker, argentino, CPF 128.852.708-02, RG/RNE W 642734U, residente à Alameda Fernão Cardin, 173, apto 14, em S. Paulo (SP), com participação na sociedade de R$ 5 milhões.”

O distrato social da empresa, firmado em 15/06/2004, revela que o Representado assumiu a responsabilidade pela guarda dos livros e documentos da empresa, apontando como endereço a rua Rodésia, nº 161, Vila Madalena, em S. Paulo (SP) – o mesmo indicado como sendo de sua residência.

Constituída em maio de 1994, começou suas atividades em maio de 1996 e somente foi dissolvida em junho de 2004.

Outra divergência: RAIZ com Z no final, ao invés de S

Na ficha de breve relato, a empresa está registrada como RAIS EDITORES LTDA., com s no final do primeiro nome.

Na mencionada reportagem consta que o Representado editou em 1994 um de seus livros, intitulado “Mulheres que Mudaram o Mundo”, pela RAIZ EDITORES LTDA, conforme atestam cópias de suas capa e contra-capa e das páginas 2 e 3 (Doc. 3)(*3).

A partir desta informação, acessamos, no sítio da Receita Federal, a situação cadastral da empresa RAIZ EDITORES LTDA., CNPJ 00.008.238/0001-63 (Doc. 4) e abaixo reproduzida, na qual consta como inapta, em razão de ser considerada empresa omissa e não localizada (*4).



Empresa foi sonegada das declarações públicas de bens

Na reportagem mencionada, o Representado confirma que tinha participação acionária na RAIZ EDITORES LTDA e confessa que não a declarou, conforme reprodução de suas afirmações ao jornal O Estado de São Paulo:
“Isso é uma bobagem tão grande”, reagiu Chalita. “Não sei como vocês (imprensa) perdem tempo com isso. Não consigo entender. Isso é o de irregular que tenho na minha vida. Advogados me disseram que não precisava declarar porque não recebi nenhum tostão com a editora.” Ele contou que conheceu o sócio Schumucker em 1994 e juntos idealizaram uma grande editora, que foi criada no papel, mas nunca teria funcionado. “Eu nem me lembrava dessa empresa. Nunca gerou um tostão e encerramos a editora depois de muito tempo”, explicou.
A despeito de o representado ser titular de 50% do capital da empresa, no qual sua participação era de expressivos R$5 milhões, ele jamais fez constar as cotas em suas declarações públicas de bens em diversas edições do Diário Oficial (*5):



Candidato a vereador pelo PSDB nas eleições municipais de S. Paulo deste ano, 2008, o Representado apresentou a seguinte declaração de bens ao Tribunal Regional Eleitoral referente ao ano-base 2007, extraída do sítio do TRE, que também segue anexa (Doc. 9) (*6).



O Representado é sócio de duas outras empresas, que constaram de suas declarações públicas de bens, a saber:
1ª) Educativa Cursos e Palestras Ltda. (*7), que já teve por denominação Chalita Serviços Ltda. CNPJ 02.389.262/0001-15, com capital de R$1 mil, em sociedade com Anisse Issaac Chalita, CPF 201.798.388-81, registrada em 19/02/1998, no 4º Cartório de Registros de Pessoas Jurídicas de S. Paulo (Doc. 10);

2ª) Ethos – Projetos Gerenciais (*8), cuja ficha de breve relato da Junta Comercial de S. Paulo (Doc. 11), apresenta as seguintes informações:
“Data da constituição: 16/01/2008
Início das atividades: 21/02/2008
CNPJ – não consta
Inscrição estadual - não consta
Capital: R$ 10 mil
Endereço: Av. Angélica, 2546 – conj. 81-A - São Paulo – SP
Objeto: Regulação das atividades de saúde, educação e serviços culturais

Sócios:
Gabriel Benedito Issaac Chalita – CPF 126.457.628-59, RG/ RNE 13.718.212, residente à rua Rio de Janeiro, 33, apto 201, em São Paulo (SP), com participação na sociedade de R$9.950.

Márcia Cristina de Souza Alviom (*9), CPF 104.565.338-18, RG/RNE 17.163.006, residente à Avenida Angélica, 1189 – apto. A4, em S. Paulo (SP), com participação na sociedade de R$ 50.”
Discrepâncias sobre valor de dúplex declarado

O apartamento dúplex localizado na Rua Rio de Janeiro, nº 33, aptº 201, de propriedade do representado foi adquirido em 22 de junho de 2004, pelo valor de R$1.650.000,00, conforme atesta a certidão vintenária do respectivo imóvel, cuja averbação consta do verso 2, da matrícula 22.903 (Doc. 12).

Contudo, na declaração pública referente ao ano base de 2004 o valor do imóvel foi declarado como sendo R$ 2,1 milhões, ou seja, R$ 450 mil acima do que houvera sido declarado ao cartório de imóveis, acréscimo justificado por reformas introduzidas no imóvel.
Na declaração do ano-base 2007, apresentado ao TRE-SP, o valor do apartamento dúplex salta para R$ 3,5 milhões, ou seja, R$ 1,4 milhão superior à anterior, talvez justificado também por possíveis reformas.

Em três anos, o Representado gastou a cifra exorbitante de R$1,85 milhão com eventuais reformas no apartamento.

Por ocasião da compra desse apartamento, duas notas publicadas pela jornalista Mônica Bérgamo em sua coluna, no jornal Folha de S. Paulo de 07/06/2004 (Doc. 13) e adiante reproduzidas, ensejaram que a deputada estadual Maria Lúcia Prandi representasse ao Ministério Público Estadual (Doc. 14) e ao então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (Doc. 15), para que apurassem eventuais atos de improbidade praticados pelo ora representado, em razão de apresentar indícios de evolução patrimonial incompatível com seus rendimentos.

Posteriormente, ambas as representações foram arquivadas.

Folha de S. Paulo – 07/06/2004
Coluna da Mônica Bérgamo– Página E2
DOCE LAR 1
Gabriel Chalita, secretário da Educação e um dos mais prestigiados da equipe do governador Geraldo Alckmin, está de casa nova. Ele comprou um deslumbrante dúplex, de 1.500 m2, numa das esquinas mais charmosas de São Paulo, a da rua Rio de Janeiro com a avenida Higienópolis. A cobertura tem até uma piscina e uma das vistas mais lindas da cidade.
O imóvel custa mais de R$ 4,5 milhões. O secretário diz que negociou o preço e deu imóveis que recebeu de herança como parte da negociação.

DOCE LAR 2
Chalita diz que tem uma coleção de 15 mil publicações que vai levar para o lugar.”
Sócio do Representado tem duas outras empresas

O sócio do representando, Adolfo Ernesto Schmukler, tem participação em, pelo menos, duas outras empresas, também consideradas inaptas pela Receita Federal , conforme atestam as certidões que acompanham as respectivas fichas de breve relato emitidas pela Junta Comercial do Estado de S. Paulo, a saber:
Schmukler Editores Comércio, Importação e Exportação Ltda., CNPJ 68.404.607/0001-70 (Doc. 16). Na Receita Federal, o primeiro nome desta empresa está registrado como Schmukier.

Games Books Livros Interativos Ltda. , CNPJ 00.169.923/0001-71 (Doc. 17). Na Receita Federal, o último nome da empresa está registrada como Games Books Livros Internativos Ltda.
Chama a atenção a seqüência de divergências de grafia (“Alnedito” em vez de Benedito; ora “Raiz”, ora “Rais”; e agora “Schmucker”, “Schmukler” e “Schmokler” como nomes de pessoa física, e também “Schmukier” em vez de Schmukler e “Internativos” em vez de Interativos, constantes dos nomes de pessoas jurídicas, o que leva a crer na hipótese de se tratar de expediente para dificultar a pesquisa e não encontrá-los enquanto pessoas físicas e jurídicas.

Além disso, o CPF 128.852.708-02, declarado por Adolfo Ernesto Schmukler nas fichas de breve relato, foi cancelado pela Receita Federal (Doc. 18). Para este mesmo nome, há o CPF 856.082.978-49, tido como regular (Doc. 19).


Evolução patrimonial cresceu 849% entre 2000 e 2007


Impressiona, também, a evolução patrimonial do Representado, conforme se comprova pela planilha anexa (Doc. 20).

Quando de seu ingresso na vida pública, como Secretário Estadual da Juventude, o Representado acumulava bens, em 31/12/1999, num montante de R$741 mil. Em 31/12/2007, esse montante atingiu o valor de R$7,03 milhões, o que representa um crescimento de 849% em sete anos.

PEDIDO

A omissão na declaração de bens, confessada pelo ora representado na reportagem anexa, de uma empresa com capital social de R$10 milhões, da qual participava com R$5 milhões, configura em tese os crimes contra a ordem tributária e de lavagem de dinheiro, além de inconsistências na evolução patrimonial do Representado, que se revelam claras e evidentes.

Assim, no cumprimento do dever de fiscalização que me foi conferido pela população de São Paulo, formulo a presente REPRESENTAÇÃO para que essa Instituição, exemplar e republicanamente comandada por V.Exª, promova a apuração de eventuais crimes de contra a ordem tributária e de lavagem de dinheiro, por ele em tese praticados.

São Paulo, 23 de setembro de 2008
_________________________
ROBERTO FELÍCIO
Deputado estadual

FONTE 1 - versão em Doc;
FONTE 2 - versão em HTML.

NOTAS do NMN
- (*1): A matéria como consta na Representação está diferente no Estadão on-line, mesma data. Além disso, há uma correção datada 30/setembro/2008, que ameniza os fatos - porém os comentários são de outubro de 2010; estranho. O texto na íntegra, entretanto, pode ser lido no site da Fazenda - em Resenha Eletrônica. O jornal desconhece o uso de links?

- (*2): Não há referências na WEB sobre essa empresa, com essa grafia, a não ser no jornal Mogi News (10/setembro/2008), em que aparece nota explicativa da assessoria de imprensa do Sr. Chalita.

- (*3): O livro pela Raiz Editores e também em edição mais recente, pela Companhia Editora Nacional, aqui. Neste documento da Capes aparece a Raiz Editores na obra bibliográfica do Sr. Chalita, página 5.

- (*4): CNPJ da Raiz Editores LTDA - situação atual no site da Fazenda; "Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral":


- (*5): Declarações de Bens do Sr. Gabriel Chalita, links para o Diário Oficial:
a) exercício 2001 - ano base 2000 (Secretaria da Juventude) - 17/abril/2002;
b) exercício 2001 - ano base 2000 (Secretaria da Educação) - 17/abril/2002;
c) exercício 2003 - ano base 2002 (Secretaria da Educação) - 20/setembro/2003;
d) exercício 2005 - ano base 2004 (Secretaria da Educação) - 6/outubro/2007
e) exercício 2006 - ano base 2005 (ex-Secretaria da Educação) - 26/outubro/2007

Fatos interessantes na declaração 2005-2004: Sr. Chalita declara haver vendido dois apartamentos no mesmo dia (27/maio/2004), sendo que no apto. da rua Albuquerque Lins (item 2) aparece como "comprador" apenas o CPF 259.283.698-59, que ao ser consultado revela ser do Sr. Paulo Alexandre Pereira Barbosa (ex-Secretário-adjunto do Sr. Chalita, eleito deputado estadual-PSDB em 2010). Diz o site Transparência Brasil -> Excelências: Conforme as informações que prestou à Justiça Eleitoral,entre 2006 e 2010 este(a) parlamentar experimentou variação patrimonial de R$ 567.789,12 (acréscimo de 177,3%). A declaração de bens do Sr. Paulo Alexandre Barbosa aparece logo abaixo do Sr. Chalita no mesmo link do DO e continua na página seguinte.

Outro destaque na mesma declaração é o item 37. (*) Imóveis vendidos para Fundação João Paulo II (50.016.039/0001-75) em 14/04/2004 – Brasil – 0,00 – 0,00 - em que não há discriminação ou valores das vendas; a Fundação em questão é a Canção Nova.

- (*6): Sr. Chalita - Declaração de Bens no TRE 2008, ano base 2007. Em caso de falha, siga por aqui (ano 2008).

- (*7): Educativa Cursos e Palestras - além da pedagogia do amor e treinamentos sobre licitações, destaque para palestrantes como Luis Felipe Pondé, colunista da Folha. Exemplo de valores cobrados pela empresa do Sr. Chalita por palestra: R$25 mil - de acordo com o DO do Mato Grosso do Sul, em 7/outubro/2009, página 66 - Realização de Palestra com abordagem no tema “a Ética como essência para a felicidade Humana”.

- (*8): Ethos - Projetos Gerenciais - Não há ocorrências significativas na WEB, mas há três no Diário Oficial, sendo duas no mesmo dia:
a) 8/março/2008 - NIRE - 35222134762 - ETHOS - PROJETOS GERENCIAIS LTDA,
SITUADA A AVENIDA ANGÉLICA, 2546, CONJ. 81-A, CONSOLAÇÃO, SÃO PAULO, SP, CEP 01228-200, COM O OBJETO SOCIAL DE: EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DE NÍVEL TÉCNICO;
b) 6/outubro/2009 - NIRE - 35222134762 - N. DA ALTERAÇÃO: 376260/09-9 - ETHOS
- PROJETOS GERENCIAIS LTDA - DISTRATO SOCIAL DATADO DE 14/08/2009.
c) NIRE - 35222134762 - N. DA ALTERAÇÃO: 376260/09-9 - ETHOS - PROJETOS GERENCIAIS LTDA - ALTERAÇÃO / INCLUSÃO DE CGC 09.419.438/0001-83.

Com o NIRE e a inclusão do CGC em outubro/2009 e o site JUCESP, confirma-se o CNPJ da empresa: 09.419.438/0001-83, que não consta na Representação acima. No site da Fazenda pode-se ver a situação atual.

- (*9): Márcia Cristina de Souza Alviom - Pelo CPF citado sabe-se que o nome correto da sócia do Sr. Chalita é "Alvim". Ela aparece como doadora de R$10 mil na campanha de 2008 de seu sócio, de acordo com o site do TSE. Ela é professora da Faculdade de Direito da PUC-SP, teve como orientador de doutorado o Sr. Chalita - de acordo com o seu currículo (onde a empresa Ethos não aparece).

(continua... em breve...)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Serviços entre amigos na recente campanha de Alckmin

O governo Alckmin nem (re)começou e já temos relações comerciais entre amigos a serem catalogadas. Lembra do caso da Objetiva Eventos citado nesta mirde casinha? Trata-se de empresa do Sr. Eduardo Graziano, irmão de Xico Graziano, que executa tarefas "licitadas" ao Estado e município, há muito tempo. Ínfima parte da história pode ser vista em Os Eventos da SEE-SP: um perdedor de peso (outras partes encontram-se espalhadas no Diário Oficial).

Pois não é que durante a recente campanha eleitoral do Sr. Geraldo Alckmin a mesma Objetiva Eventos (CNPJ 06.096.814/0001-58) demonstrou toda tua competência? Levou pelos serviços prestados ao candidato a quantia de R$1.161.165,62.

Com a eficiência que lhe é peculiar, a Objetiva serviu também ao candidato eleito ao Senado Aloysio Nunes: cobrou R$238.483,19.

Cremos não haver nada de "ilegal" nisso tudo, é óbvio - não venha com pensamentos malucos, ora pois: são apenas coincidências.

(Há coisas interessantes como o caso da CTIS, que doou R$ 200 mil ao candidato Aloysio Nunes Ferreira Filho e recebeu em serviços prestados ao Alckmin R$13.280,08. Eduardo Stevanato, da MSTech, grande fornecedora da FDE e SEE-SP, doou R$ 35 mil ao Alckmin; a Tejofram R$100 mil e assim por diante.)

Para que você não diga que estou inventando, segue o link dos doadores e fornecedores da campanha do Sr. Geraldo Alckmin (Nº Controle: 5281056682), cujo Comitê Financeiro do PSDB declarou o montante recebido de R$40.705.296,79 - sendo que, econômicos por natureza, disseram ter gastos de R$37.362.771,79 (em outras tabelas os números são diferentes).

Sobre as receitas/fornecedores dos outros candidatos paulistas do PSDB, siga por aqui:
Comitê Financeiro Distrital/Estadual para Senador da República
Comitê Financeiro Distrital/Estadual para Deputado Federal
Comitê Financeiro Distrital/Estadual para Deputado Estadual

Para saber de quaisquer outros candidatos/partidos (desde que tenham informado até este momento ao Tribunal Superior Eleitoral), divirta-se aqui.

Há nomes, relações e quantias espetaculares, pérolas.

domingo, 31 de outubro de 2010

Serra é 54

Dona Lu Alckmin, esposa do governador eleito de São Paulo, recomenda: Serra é 54.
Ela sabe das coisas.



Bem que o esposo tentou ajudar dando um curso rápido e básico. Falhou.
(fonte)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

História de um leitor tucano cidadão

Este singelo blog teve a honra de receber a mensagem de um leitor que segue abaixo. Embora não seja de nosso feitio, publicamos. É um recado inspirador. Após a emocionada missiva seguem algumas informações complementares. Os grifos na carta são nossos.

Prezada NaMaria News;

Sou uma pessoa comum. Meu nome é Carlos Romero e frequento seu blog sempre, leio, comento e recomendo aos amigos de todos os partidos mesmo que eu nunca tenha sido petista. Ao contrário eu votei sempre PSDB, (não me leve a mal! Leia até o fim!). O que me traz ao seu blog é a certeza de que as suas informações procedem, então toda informação segura é bem-vinda. Nunca acreditei que a verdade viria de uma só fonte (eu sei que você sempre fala isso). Além do seu blog eu vou ao Azenha, Nassif, Cloaca, PHA, Vianna, muitos dos outros "sujos" e, claro, os do "meu partido". Os contrastes são impressionantes, para pior.

Eu trabalho na área da engenharia há muitos anos, sou irmão, tio, pai, avô, compartilho todos os deveres e prazeres com minha mulher há mais de 40 anos. Já passei por muitas eleições, mas nunca vi uma sujeira miserável como a que estou vendo nesta eleição de 2010. Como eu disse vou aos sites de "meu partido" e participo de correspondências.

Acontece que recebi um e-mail de um deles indicando um texto, fui lá olhar. Era o site Vou de Serra 45, ligado ao site oficial do José Serra e um texto pedindo para assistir e espalhar um filme disponível no Youtube. O filme é um horror, não apenas pelo tema ou forma como foi feito ou por ser contrário à candidata Dilma Roussef e ao PT e Lula, mas porque as informações nele contidas são absurdas. Eu assisti enojado, deu desespero ao ver tanta imbecilidade. Pouco tempo depois minha filha telefona perguntando se eu havia visto, o mesmo fizeram meus três filhos. Todos estavam revoltados. Mas o pior foi quando meus netos chegaram apavorados em nossa casa. Eles haviam assistido também e estavam assustados querendo saber se aquilo era verdade mesmo. Em casa sempre educamos os nossos para questionar e pensar, para refletir sobre os fatos em vez de aceitar tudo passivamente.

Tive um momento de intensa lucidez, NaMaria News foi algo providencial!! Então expliquei a situação a eles. Mostrei a verdade do governo Lula e a melhoria que até a nossa família teve em vários níveis. Mostrei como vivíamos tristes na Ditadura, como ficamos na miséria com o Collor, como ficamos na corda bamba com FHC e como encontramos conforto e segurança com Lula. Hoje eu tenho trabalho quando quero, mesmo tendo passado dos 60 anos, porque tenho conhecimento de área. Meus filhos estão todos empregados e compraram seus apartamentos, coisa que só fui fazer depois de anos e anos de aluguel e alto financiamento. Meus filhos fizeram faculdade, oportunidade que minha esposa só vai ter agora, graças à nossa estabilidade. Tínhamos uma empregada com mais de vinte anos de casa que saiu para seguir o sonho de fazer uma faculdade. Graças ao PROUNI ela está cursando enfermagem perto de sua cidade de origem no Nordeste. Hoje nos comunicamos diariamente pela internet. Ela é a única de sua família a ter esse privilégio de poder estudar em universidade, já sabemos que seu irmão mais novo irá pelo mesmo caminho em 2011, ele não está mais fazendo carvão nem a família. Isso certamente irá mudar as vidas dos seus familiares e sobretudo de sua filha que verá bom exemplo na mãe (solteira, que fez abortos clandestinos ainda jovem por desespero, ignorância de controle de natalidade e necessidade), mulher que teve sonhos e que é uma guerreira como poucas.

Mostrei isso e mais fatos aos meus netos e netas, mostrei a chantagem da bolinha de papel do Serra, a repercussão péssima do
seu ato desmedido, a mentira do Jornal Nacional, a verdade do SBT e da Record, mostrei os panfletos sórdidos (que minha mulher trouxe da igreja que frequenta), mostrei sites como o seu, o lindo sambão da ridícula bolinha, fomos ao Twitter e até sobre aborto nós voltamos a falar. No final eles tiraram suas conclusões e quando perguntaram -"Mas avô você ainda vai votar no Serra? A avó também?" Foi um choque porque eu não havia pensado nisso ainda. Mas pensei com eles e sei minha resposta.

Foi então que voltei ao site Vou de Serra 45 e escrevi meu comentário logo abaixo do filme de terror e mentiras. Tomei a liberdade de tirar cópias das páginas que seguem no anexo para que ficasse registrado porque eu imaginei que meu comentário não seria publicado por aqueles covardes, mas meus netos e familiares poderiam se orgulhar de mim se o vissem.

Se quiser usar esse material pode usar NaMaria News. Pode espalhar porque a verdade deve ser espalhada muito mais que a mentira. Nossos filhos e netos, o nosso futuro não podem ficar nas mãos de terroristas como esses. Eles é que são os verdadeiros terroristas nessa eleição imunda em que a quiseram transformar. Nós não somos idiotas!!
NaMaria News, meus netos, minha família, meu ex PSDB, caro José Serra... Perdeu!! Sem medo de ser feliz nosso voto é Dilma 13 no dia 31!!

Cordiais abraços.
Carlos Romero
28/10/2010


Comentário feito pelo Carlos - aguarda moderação, para sempre.


Hoje o tal site está fechado ao público, só os íntimos entram (confiram ao lado). Também havia filme do mesmo naipe com a "verdadeira história de Dilma"; ontem, durante o dia, desapareceu. Além do comentário do Sr. Carlos, o comentário imediatamente acima ao dele parece não ter sido compreendido pela grandiosa filosofia dos idealizadores daquele recinto cibernético, foi aprovado.
Interessante porque "a coisa" estava linkada ao site oficial do candidato, também até ontem. Até saiu esculhambação na WEB, mas acabou sumindo de todo lugar. Por que? Comportamento típico, não é, Soninha?

Nossos sinceros agradecimentos ao Sr. Carlos Romero que, além de seu endereço completo, passou fone e skype, por onde tivemos agradabilíssima conversa com grande parte da família.
Este é um homem do bem, de fato.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Um filho teu não foge à luta. Luta.

Cortesia do espetacular Capitão Óbvio, o filme com o não menos espetacular Zé de Abreu explica o "quem é quem" dos períodos tenebrosos da UNE (União Nacional dos Estudantes).
Uns morreram, outros enlouqueceram, muitos foram presos, comeram o pão que a ditadura amassou... e alguns... viajaram.
Fica fácil saber quem fez o quê na história.
Assista (é inédito).


(link)

Mais informações sobre o tema:
- Une;
- Memória do Movimento Estudantil - Feito pela Fundação Roberto Marinho. Mas por que não há o ano de 1963 na cronologia do movimento? Pulam de 1962 para 1964.
Quem era mesmo o presidente da UNE em 1963/64? Foi este daqui, por sinal entrevistado por um grande admirador.
Então.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Teia de espiões cerca o PSDB

No dia 23 de outubro, o Presidente do PT José Eduardo Dutra disse o seguinte:

(versão Estadão)
"O trabalho dele (Amaury) foi para se contrapor a uma central de espionagem liderada pelo Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), central de espionagem essa que era aliada do Serra. Por isso fizemos um aditamento para que a Polícia Federal investigue também tudo isso ."
(versão G1)
O presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirmou nesta quarta-feira (20) que investigações da Polícia Federal mostram que a quebra de sigilo fiscal de dirigentes do PSDB e de pessoas ligadas ao candidato tucano à Presidência da República, José Serra, teria acontecido por pessoas ligadas ao próprio PSDB.
A PF divulgou nesta tarde que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. encomendou a violação de sigilo fiscal de pessoas ligadas a Serra e de dirigentes do PSDB. O jornalista disse que fez a investigação após descobrir que o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) estaria realizando investigações contra o então governador Aécio Neves (PSDB-MG) a serviço de Serra. Na época das violações, em setembro e outubro de 2009, o jornalista trabalhava no jornal "O Estado de Minas".
(versão Terra)
"O que o Sérgio Guerra não quer levantar é que o depoimento do Amaury fala que começou a investigar esse assunto porque tinha uma central de espionagem comandada pelo PSDB e pelo Marcelo Itagiba. Por isso que nós fizemos um aditamento ao pedido do inquérito. Porque esse inquérito está acontecendo por um pedido nosso. Nós fizemos um aditamento para que se investigue essa tal central de espionagem. Nisso o Sérgio Guerra não quer tocar". (Dutra)
(versão R7, em 20/outubro e 23/outubro)
"- Não temos nem tivemos qualquer responsabilidade nesse episódio. Pedimos o primeiro inquérito, fizemos aditamento e agora a partir do que foi informado hoje estamos solicitando investigação dessa central de espionagem comandada pelo deputado Marcelo Itagiba, que além de tucano é araponga contumaz." (Dutra)



Momento reload

O NaMaria News foi o primeiro que mostrou os contratos do candidato José Serra, ainda governador de São Paulo, entre a PRODESP e a empresa Fence Consultoria Empresarial LTDA, de propriedade do ex-dirigente do SNI, o coronel reformado do Exército Sr. Ênio Gomes Fontenelle, em dois textos (Coincidências do Dossiê 2002 nos Negócios de SP, e Os contratos da Fence com o Governo de SP). A assinatura do maior contrato, sem licitação, foi em 27 de maio de 2008 (o tal 014/2008), por R$ 858.640,00, fora os extras. Nele está previsto que se buscará por "intrusões eletrônicas" dentro das áreas da PRODESP, em 113 ramais de PABX e 7 linhas diretas, além de 60 salas. Mas também prevê que pode-se procurar em áreas fora de sua sede - ou em outras localizações de seu interesse. A PRODESP cuida de toda, eu disse toda a rede de dados do Estado de São Paulo, com o tal INTRAGOV (a internet governamental).

José Serra e
Marcelo Zaturansky Nogueira Itagiba se conhecem de priscas eras e muitos serviços mútuos prestados. Serra o chamou porque foi Coordenador do Centro de Inteligência da Polícia Federal, sabia muito, demais. Portanto Itagiba tinha cacife para "montar um aparato de inteligência" em seu ministério tão saudável, na ANVISA. Ele então carregou para a tarefa mais alguns delegados da Polícia Federal, entre eles o Sr. Onézimo das Graças Souza. Quando o troço todo começou a feder e vazar demais, José Serra, sempre profissional, acaba com a farra (dezembro/2000) e contrata Ênio Fontenelle e sua Fence Consultoria. Serra terceiriza e amplia as sondagens.

Desde 1997, a Fence está na profissional varrição da política. Diz a matéria do Correio Brasiliense de 14/março/2002:
Nos últimos meses, Fontenelle esteve várias vezes no Ministério da Saúde, onde encontrou-se com Serra. Hoje, cerca de 600 telefones e ambientes (salas de reunião e gabinetes) são monitorados pela Fence no ministério.
A empresa rastreia, principalmente, a existência de grampos ou emissores de rádio clandestinos, com capacidade de transmitir conversas para um interceptador posicionado a até 100 metros de distância. (...)
O coronel tem outro conhecido comum com Serra: o delegado da Polícia Federal Marcelo Itajiba. O delegado foi assessor do candidato tucano em Brasília. Mas, antes de desempenhar essa função burocrática, era chefe do Centro de Inteligência da PF, a mais produtiva instaladora de grampos legais a serviço do governo. No ministério, Itajiba montou uma mini-central de inteligência, que contou com a participação dos delegados da PF Onésimo e Hercídio.
Itajiba é da copa e cozinha do ex-ministro. Serra tentou, sem sucesso, fazê-lo diretor-geral da Polícia Federal, em 1999. Hoje, o delegado está no Rio, assim como Fontenelle. ‘‘Conheço o delegado, mas apenas de contatos superficiais’’, disse Fontenelle ao Correio". (...)

Coincidentemente, o contrato feito entre o Ministro da Saúde José Serra e a Fence, também previa "a verificação de intrusões eletrônicas". Igualzinho ao da PRODESP. O serviço para José Serra, por R$1.872.576,00, foi rompido no começo de 2003 pelo Ministro Humberto Costa, já no governo Lula. Só que antes disso, em 2002, estraçalhou com Roseana Sarney e Serra saiu candidato.

Outros contratantes da varrição eletrônica de Fontenelle foram o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal Militar e o Tribunal Superior Eleitoral. Em 2005 foi a vez do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rescindir "amigavelmente" o contrato com a Fence do Fontenelle com valor que passava dos R$280 mil. O rastreamento de grampos eram nos telefones do tribunal, nos gabinetes e nas residências de seus 33 ministros e do diretor-geral.

O Tribunal de Contas da União, também cliente da Fence, fez auditorias. Embora "não tenha descoberto irregularidades" nas contas/contratos com a EMBRATUR, Caixa Econômica Federal, CONAB e Correios, mostrou que verificações de intrusões eletrônicas da Fence eram executadas bem longe de onde foram previamente contratadas:
em residências de diretores de órgãos que não lidam com informações com o mesmo grau de sigilo, caso, por exemplo, de dirigentes dos Correios e da Fundação Nacional de Saúde. E que a Fence, a título de "cortesia" para o Superior Tribunal Militar, varria 26 locais e cobrava apenas por 15. (fonte)

É fundamental refletir muitíssimo sobre o que o jornalista Amaury Martins Ribeiro Júnior declarou à Polícia Federal, em 15 de outubro de 2010, página 647, para desvendar de vez a trampa dos dossiês do PSDB e outras mumunhas mais. Amaury diz que fica sabendo do grupo "clandestino de inteligência
" atrás de Aécio Neves, em dezembro de 2007; em 2008 Amaury retoma as antigas pesquisas das privatizações. Preste atenção:



Justo em 2008, nas mesma bases, na mesma configuração legal, mesmo período crítico, até quase na mesma faixa de preço, a Fence está em pleno governo de São Paulo, trazida pelo mesmo homem que a levou à Brasília na era Fernando Henrique Cardoso, usada antes e quando também queria ser eleito: José Serra.

Pode ser tudo completa coincidência, como sempre diz o candidato do PSDB, quando o horror bate à sua porta e grita verdades. Mas, sem dúvida, é muito esquisito.

PS- A Polícia Federal vai dar uma olhada nisso também?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

OVNI existe e quis pousar na cabeça do Serra

Para quem não crê em objeto voador não-identificado (OVNI), José Serra, hoje, no Rio de Janeiro, foi testemunha fidedigna da sua existência (do OVNI e não dele mesmo, apesar de até ele duvidar - dele mesmo, não do OVNI). E o melhor: uma câmera do SBT gravou tudo, assim a gente passa a crer na coisa também. Eis que estava o Sr. Serra alegre e feliz em meio aos seus partidários quando, repentinamente, do nada, sem querer e aquém da compreensão humana rompeu-se um vavavá. Daí o Sr. Serra adentra uma loja, dá um tempinho, mas em seguida volta às ruas. Entre um entra-e-sai e outro do Sr. candidato em abrigos disponíveis contra a gentama conturbada, o OVNI aparece em cena, dirigindo-se à lateral direita da calota craniana superior do Sr. Serra, sem que nada ou ninguém pudesse (ou quisesse) detê-lo. Simples, de surpresa, impávido que nem Muhammed Ali, infalível como Bruce Lee. O troço vem, vem, vem, pumba na cabeça do Sr. Serra, dá uma quicada velocíssima e sai de cena, sem sombra de dúvida indo parar nas profundezas da terra, no espaço sideral ou simplesmente na calçada. Ainda não se sabe. Jamais saberemos. O Sr. candidato dá uma olhada sutil para saber o que poderia ser aquele trocinho leviano, branco, de formato esférico e segue seus afazeres. Então, 20 minutos depois, de volta à caminhada, ele recebe telefonema em seu celular que deve ter-lhe trazido péssimas notícias, porque imediatamente leva sua mão esquerda à calota craniana repetidas vezes. A partir daí a dor se instaura, as náuseas tomam-lhe conta e, primeiro em veículo SUV, depois em um helicóptero, seus zelosos assessores o levam a um médico de sua intimidade, particular de longa data, em clínica distante léguas e léguas, que manda ver numa tomografia. O mesmo doutor, em entrevistas mil até para outras emissoras amigas e filiadas que não conseguiram flagrar o OVNI violentíssimo, assegurou não ter a coisa estranha deixado sequer um fiapo de resquício, tampouco sequelas para o futuro. Determinou-lhe, outrossim, repouso absoluto, exceto para eventuais entrevistas e filmagens oportunas da campanha eleitoral. As imagens abaixo foram extraídas da película do SBT. Entretanto não podemos afirmar se o OVNI agiu como sempre age um OVNI tradicional de boa cepa, que abduz aqueles que toca. Somente saberemos se houve ou não abdução e de qual natureza ao observar atentamente as próximas reações do Sr. candidato: se lembrará do Paulo Preto, do Aécio, do motivo do vazamento da Receita, do aborto de Mônica Serra, da gráfica da Kobayashi, da elegância de sua campanha e demais temas afins. E ainda, se repentinamente surgir-lhe magnífica cabeleira. Encontre o OVNI: objeto em forma esférica, de cor esbranquiçada na região encefálica do candidato. Eis o vídeo na íntegra, cuja fonte direta está aqui.
Aguardemos, pois. Alvíssaras!

A total imparcialidade da imprensa de aluguel

Esta é a imagem da página UOL Eleições de hoje (20/10) às 17:22.
Veja a imparcialidade da nossa imprensa, o espetáculo de confiabilidade, a ética exemplar, o rigor da mais pura e verdadeira informação. Isso daí é tudo de bom.
Observe, aprenda e não esqueça. É assim que se faz.

Serra: 29 aparições, obras completas. Óbvio, 4ever in blue.
Dilma: 10 aparições (com muita boa-vontade, espremendo, tentando de tudo aqui e sem levar em conta outras semioticidades).



Clique na imagem e ela poderá ser vista em toda sua glória.
E você ainda paga UOL?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Dos blogs para a TV - o caso dos panfletos

Reportagem poderosa de Rodrigo Vianna, para o Jornal da Record. É o caso dos panfletos e toda bandalheira da Gráfica Pana, que por acaso é da irmã de Sérgio Kobayashi, a senhora Arlety Satiko Kobayashi, filiada ao PSDB, tucana de ascendência e descendência. O Sr. José Serra acha naturalíssimo - e nada a ver com o andar de sua carruagem - que tal gráfica tenha tais relações e tenha feito o que fez por 33 mil dinheiros - só nessa tacada em que foi pega no pulo. Não passa de completa coincidência o fato de que a irmã de seu coordenador de campanha (Sérgio Kobayashi) e seu sobrinho Alexandre Takeshi Ogawa (sócio e filho de Arlety), tenham impresso mais de milhão de nefastos folhetos na singela gráfica, com grana de quem só Deus sabe, a pedido de bispos da igreja católica, TFP, monarquistas e afins, contra a candidata que se opõe a ele nessas eleições. São apenas coincidências, nada mais. Se você caiu de balão nessa lambança e não sabe de nada, antes leia isso e isso. A matéria no vídeo abaixo é supimpa, nem vai ser necessário desenhar para a perfeita compreensão dos fatos. Agora, se você tem paciência de Jó e alguma boa-vontade em seu nobre coração, por gentileza entre neste recinto cibernético e assista ao animado vídeo do padre que tem problemas em falar a palavra 'descriminalização'; leia os textos mandando imprimir os mesmos panfletos, navegue por lá com suavidade. Esta indicação é uma retribuição à bondade de terem nos citado tão amavelmente. Alvíssaras.

domingo, 17 de outubro de 2010

No PSDB é tudo entre amigos, sempre

Veja como o mundo é pequeno, mas a ciranda o inverso. Sérgio Kobayashi, tio de Victor Kobayashi, citado no texto anterior, tem uma vida bastante dinâmica nos governos do PSDB de SP, desde o século passado.

Ele trabalhou na campanha eleitoral de Mário Covas para a presidência, em 1989, e para o governo do estado - 1990, 1994 e 1998. Foi assessor do Covas em sua gestão, um secretário pessoal. Sérgio Kobayashi foi diretor da Imprensa Oficial do Estado na gestão de Franco Montoro. Depois foi presidente da mesma instituição nos governos de Mário Covas e Geraldo Alckmin.

Atuante como o quê, não poderia ter deixado de passar pela Educação do Estado de São Paulo: ele foi diretor-executivo da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, a famosa FDE. Mas lá pelas tantas deu um problemão na antiga FEBEM e ele vai ser diretor daquilo, para tentar apagar os incêndios. Resolvida a parada, ele quis voltar à FDE, mas foi impossível. Gabriel Chalita havia nomeado o diretor técnico Tirone Francisco Chadad Lanix em seu lugar - daí a profunda admiração que Kobayashi, entre outros do PSDB, tipo José Serra, sente por Chalita. No Diário Oficial estava (e está) Hubert Alquéres, que o substituiu, em 2003. Como ficaria o Sérgio, então?

Oras, em dezembro de 2004, após ter trabalhado na campanha de Serra, este, já prefeito, o nomeia Secretário de Comunicação do Município para promover um sistema mais democrático e eficiente na veiculação de informação para a população. Ele zarpa do cargo exatos 14 meses depois. Motivo? Repare no imbróglio:

... deixou na gaveta a primeira mácula da administração Serra: no exercício do cargo, Kobayashi contratou a empresa de uma antiga sócia, a jornalista Lu Fernandes, e destinou a ela uma gorda fatia dos R$ 30 milhões anuais que sua caneta poderosa controlava.
Lu Fernandes é jornalista de prestígio em São Paulo. Na juventude, militou no Partido Comunista quando a legenda sobrevivia na clandestinidade. Em 1991, abriu o Escritório de Comunicação. É uma empresa de assessoria de imprensa. Há 15 anos, figura entre as maiores do ramo.
Escritório de Comunicação não é a única pessoa jurídica da qual Lu Fernandes detém cotas. Ela também é sócia da Editora Barcarolla. Criada em novembro de 2003, a Barcarolla só saiu do papel efetivamente em março do ano seguinte, mês em que a firma admitiu um novo sócio, justamente Sérgio Kobayashi — cujo prestígio no meio editorial é reconhecido desde quando presidiu a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo nas gestões tucanas de Mário Covas e Geraldo Alckmin. Cobertor Em duas oportunidades ao longo de 2005, em maio e em dezembro, a assinatura de Kobayashi chancelou a contratação do Escritório de Comunicação pelas secretarias municipais de Serviços (subprefeitura da Sé, a principal da capital) e de Transportes. Nesta, a empresa atua junto à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e junto à SPTrans — estatal entregue pelo prefeito Serra ao PPS, legenda sucessora do antigo partidão no qual Lu Fernandes militou. Neste tipo de negócio, detalhes sobre valores são relativamente escondidos. Não há registro de um único centavo saindo do tesouro municipal em direção ao caixa do Escritório de Comunicação. Porque ele é subcontratado pelas agências de publicidade que atendem aos órgãos da prefeitura — Agnelo Pacheco Comunicação no caso da subprefeitura da Sé e Rino Publicidade na área de transportes. Contatada pela reportagem, a própria Lu Fernandes informou que os dois contratos lhe rendem R$ 112 mil mensais, ou R$ 1,3 milhão por ano — equivalente a 4% do orçamento da prefeitura para a área de publicidade, o que não é pouca coisa. Ela, entretanto, rechaça qualquer menção a tráfico de influência. “Eu fiz todas as campanhas do Serra, sou amiga dele, estranho seria se eu não fizesse nada com o Serra", argumenta. "Além do mais, o Sérgio Kobayashi não era mais sócio da Barcarolla quando me contratou, passou só quatro meses na empresa." (Continue lendo, que o buraco é mais profundo. Depois leia isto também.)
Quando secretário de comunicação no governo Serra na prefeitura de SP, Kobayashi contratou o Instituto UNIMEP por R$ 1,5 milhão, a cujo presidente chamava de "meu amigo", desde quando estava na FDE. Essa ONG é formada pelo ex-reitor da Unicamp Carlos Vogt, atual secretário estadual de Ensino Superior no governo Serra. De 2001 a 2006 essa entidade firmou diversos contratos sem licitação com o Governo do Estado de SP, no valor total de R$ 90 milhões de reais. (Vide CASO UNIEMP)

Ele tem ONG (OSCIP) própria – o Instituto Paulo Kobayashi (IPK) -, cuja inauguração teve a participação do então prefeito José Serra. Na IPK, o senhor Sérgio Kobayashi aparece como conselheiro consultivo, Victor Kobayashi foi seu fundador e presidente - vale a pena ver este vídeo em que ele aparece como candidato em 2008, é absolutamente pertinente. Esta ONG recebeu mais de R$ 400 mil do governo do Estado e da Prefeitura de SP nos últimos dois anos. Quer o vídeo institucional? Tem aqui.

O profissional Sérgio Kobayashi atualmente é "coordenador de infra-estrutura da campanha presidencial". Sérgio Kobayashi trabalha com o dinheiro da campanha de José Serra.

ATUALIZAÇÃO 18/outubro:

Confirmado - Arlety Satiko Kobayashi, a sócia da Gráfica Pana, é irmã de Sérgio Kobayashi.

Tudo entre amigos.